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mais avançada, como se os cinquenta anos fossem sinal de ve-
lhice. Não é nem sinal de velhice fisiológica e muito menos la-
boral. Eu não acredito e nemdefendo esta tese. O que acontece-
rá a esses administradores quando atingirem essas idades?
Estão do auge das suas faculdades! É a resposta que me darão
com toda a certeza. A geração dos jovens e adultos mais jovens
é considerada como a “lost generation”, a “geração perdida”, de-
vido às mudanças das condições de trabalho, cuja responsabili-
dade é da geração que a antecede, a que podemos apodar de
“geração falhada”. Qual o futuro? Tudo depende da “geração
perdida”, já que começa a tomar conta do poder. Talvez consi-
gam encontrar as melhores soluções. E, quem sabe se no futuro,
a tal dinâmica profissional, com saídas e entradas, não se torna-
rá na regra. Mas até lá, neste período de transição, muita coisa
há de ainda ocorrer. Convém, ainda que muito sumariamente,
referir alguns comentários a propósito do stresse, cujo conceito
está amplamente divulgado. Apesar das dificuldades inerentes
ao seu significado - é utilizado por diferentes pessoas em con-
textos diversos e com objetivos distintos - constitui um dos
principais problemas que aflige a humanidade. O contexto ne-
gativo com o qual é sistematicamente conotado, não invalida
alguns aspetos positivos inerentes a esta situação. De facto
uma certa dose de stresse é importante, porque traduz um esta-
do de alerta que é reforçado em momentos de perigo. O que
importa não é o grau de stresse mas sim a resposta ao estímulo.
Sem stresse não havia vida. As respostas fisiológicas aos novos
estímulos socioculturais, perfeitamente distintos das ameaças
físicas da pré-história, constituem as mesmas. As consequên-
cias para a saúde são relativamente bem conhecidas: sintomas
musculares, digestivos, cardíacos, pulmonares, nervosos, psí-
quicos e sexuais, são os mais frequentes e os melhores estuda-
dos. Podemos afirmar que de todas as fontes de stresse, a mais
importante, ou pelo menos a que contribui commais “peso”, é o
trabalho. O risco explosivo de stresse no trabalho é o resultado
da interação entre três características principais: exigências
psicológicas elevadas, diminuição da capacidade de decisão e
fraco apoio social. O risco de degradação física e mental é uma
constante, que se torna mais proeminente nos períodos de con-
flitos laborais, de recessão económica e de desemprego. O so-
frimento, o absentismo, a diminuição da produtividade e as
múltiplas perdas para os empresários e trabalhadores consti-
tuem os aspetos mais importantes. Presentemente temos a
consciência de que a situação laboral na Europa é propícia a
este quadro. Já tivemos oportunidade de escrever que “os estu-
dos efetuados nos últimos 30 anos provaram que em caso de
stresse físico ou psicológico, há um aumento de vários tipos de
hormonas. As razões fisiológicas são demais conhecidas. Todo
o dispositivo orgânico está momentaneamente canalizado para
a sobrevivência imediata. Aumento da frequência cardíaca, da
tensão arterial, da glicemia, paragem da digestão, do cresci-
mento, da reprodução, da reparação dos tecidos, e falta de ma-
nutenção do sistema imunológico. Todos os processos consu-
midores de energia são temporariamente desligados. Efeitos
benéficos a curto prazo, mas que podem ser desastrosos à la
longue. Durante períodos de stresse psicológico crónico, a per-
manente mobilização de energia pode comprometer as fun-
ções orgânicas. O aumento do tónus cardiovascular pode, por
exemplo, originar hipertensão. Outras disfunções ocorrem a ní-
vel dos sistemas imunitários, gástrico, além de perturbações da
reprodução, do crescimento, etc.”. O aceleramento do envelhe-
cimento pode ser condicionado pelo stresse. O envelhecimento
natural, o envelhecimento “acelerado”, aliado às elevadas exi-
gências psicológicas, à falta de capacidade de decisão e à ine-
xistência de um adequado suporte social, estão associados com
aumentos da morbilidade e da mortalidade. Voltando ao em-
prego temporário. A organização social e do trabalho dos tem-
pos modernos caracteriza-se, entre outros aspetos, por taxas
elevadas de desemprego e pela precariedade das ligações labo-
rais. As causas são múltiplas e, ciclicamente, observamos situa-
ções preocupantes, em virtude do impacto nas vidas dos atingi-
dos. Alguns trabalhos vêm revelando a existência de associação
entre o desemprego e taxa de mortalidade elevada, comparati-
vamente aos que estão empregados. Este indicador de patolo-
gias do desemprego também se reflete nos diferentes tipos de
vínculo laboral. Um trabalho realizado na Finlândia, compreen-
dendo mais de 26.000 homens e mais de 65.000 mulheres, e
observados durante onze anos, revelou que o emprego tempo-
rário estava associado a mortalidade mais elevada relativamen-
te aos que tinham emprego permanente. Nos desempregados a
taxa era a mais alta. Curiosamente, no mesmo estudo, verificou-
se uma redução da mortalidade quando transitavam dos em-
pregos temporários para empregos fixos. Os desempregados
de longa duração, comparativamente aos que tinham emprego
fixo, têm duas a quatro vezes mais risco de morrer por todas as
causas e doenças cardiovasculares e três a cinco vezes mais por
doenças relacionadas com o álcool. Mortalidade por doenças
relacionadas com o álcool, com o tabaco e com o stresse são
mais frequentes neste grupo de trabalhadores (emprego tem-
porário), facto que obriga a cuidados, sempre que se faça a
abordagem dos estudos em termos de associação entre os que