magazine RISCO ZERO n7 - page 30

magazine risco zero
Qualidade do sono:
em muitos casos podemos concluir que
os trabalhadores não dormem bem, como por exemplo: traba-
lhadores que estudam a noite e têm de acordar de madruga-
da ou trabalhadores com bebês que choram, etc. Numa das
análises que fizemos, 90% dos gerentes de uma empresa con-
fessaram que dormiam muito mal, em função das mudanças
constantes da produção. Esta questão tem grande importân-
cia para operações que exigem decisões como no caso dos
gestores, assim como operadores de sala de controlo, moto-
ristas, etc.
Erro e engano:
uma pergunta que sempre deverá ser feita aos
trabalhadores: você erra? Pois dependendo da resposta você
poderá concluir se existem problemas organizacionais graves,
normalmente os trabalhadores erram muito quando existem
muitas mudanças na programação. Quanto mais pessoas di-
zem que erram naquela determinada actividade, maior a pre-
ocupação com o projecto e apreciação cognitiva.
Por incrível que pareça, muitos trabalhadores assumem o
erro, assim como as causas; muitas vezes achamos que eles
não vão dizer se erram ou não, mas é muito comum eles apon-
tarem os problemas. Há grande relevância nesses itens, pois
trata de um assunto preocupante para a empresa. Tivemos a
oportunidade de entrevistar operadores de sala de controlo
numa grande Petroquímica e nos causou grande preocupa-
ção o relato do grande número de erros; de facto esses erros
são corrigidos a tempo, acabam não aparecendo em nenhum
controlo da empresa, com isso a tese da engenharia da resili-
ência que apontam acidentes como fruto de uma regulação
que não deu certo, se torna mais compreensível; portanto,
quanto maior o número de regulações, maior a probabilidade
de haver acidentes.
Nervosismo e stress:
sistemas complexos, mal organizados,
tendem a evidenciar maior número de trabalhadores que ex-
pressam stress e nervosismo. Devem-se avaliar atitudes van-
dálicas, assim como pichações, sabotagens, discussões, etc.
Factores de desconcentração:
quanto maior o número de
factores de desconcentração como, por exemplo: telefone alto,
conversas paralelas, ruídos de fundo, maior será a carga men-
tal de trabalho. Diferente do número de inputs que se conso-
lidam dentro do universo da tarefa; os factores de desconcen-
tração independentemente do processo como, por exemplo:
estalar de dedos do colega, bocejos, risos, mosquitos, etc.
Motivação e estímulo:
o analista deverá apreciar o grau de
motivação e estímulo da equipa para poder fazer os arrazo-
amentos necessários sobre os turnos, equipas, locais, etc. A
verbalização dos trabalhadores é a melhor forma de se obter a
satisfação com o próprio trabalho.
João Ubiuau Simões Pato
× Mestrando em Supervisão Pedagógica e Avaliação emAlmada Por-
tugal.
× Pós-graduado em Ergonomia.
× Licenciado em Fisioterapia.
× Curso de Capacitação em Medicina de Trabalho.
× Técnico Médio de Enfermagem
× Curso de capacitação em prevenção de Ruido e Luminosidade.
× Fisioterapeuta e Ergonomista da Odebrecht-Angola.
× Trabalhou na Agência das Nações Unidas para Infância UNICEF
- Uíge em apoio ao Gabinete de Promoção para Saúde na Luta do
Marburg.
× Trabalhou durante 3 anos no PNUD (Nações Unidas para o Desen-
volvimento) “Projeto do Fundo Global na Luta contra a Tuberculose
e VIH”.
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