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o segundo também toma decisões, porém em função de pou-
cos inputs, portanto, quanto maior a quantidade de informa-
ções para administração e controlo do sistema, maior será a
sobrecarga psíquica.
Nível de pressão:
definir pressão não é fácil, pois abarca a
percepção do trabalhador, mas podemos considerar o tempo
como elemento primordial para a definição de pressão, uma
vez que emmuitos casos o trabalhador sempre se mostra atra-
sado, seja pela cobrança de uma linha de produção ou pelo
cronograma apertado, implicando grande sacrifício e stress.
Devemos sempre avaliar se o trabalhador acaba por atender
a demanda nos últimos instantes do trabalho, se existem atra-
sos ou perdas, devemos avaliar se o mecanismo de cobran-
ça da produção, como por exemplo, sinais luminosos, rádios,
esteiras, objectivos anexados em papeletas eletrónicas, etc.,
mostram sobrecarga, mostram uma cobrança imediata deste
trabalho.
Complexidade:
Trata principalmente da quantidade de inter-
venções e acções que se mostram necessárias para a actua-
ção. Se por um lado a sobrecarga psíquica depende do nú-
mero de inputs, a complexidade depende da quantidade de
outputs ou acções. Tomemos como exemplo o professor que
recebe uma pergunta específica sobre o meio ambiente, uma
pergunta com diversas saídas outputs, ampliando o universo
para diversas áreas do conhecimento humano. Citamos tam-
bém o caso da actividade do operador de sala de controlo, que
recebe um input: comboio está a chegar, mas com diversas ac-
ções preparatórias para o correcto funcionamento do sistema;
ou no caso dos pilotos de avião que precisam tomar diversas
acções para evitar o choque entre aeronaves numa situação
emergencial ou rotineira.
Aceitação do erro:
muitos sistemas não permitem a correc-
ção de eventuais erros de comando ou acções, que aponta
para grande sofrimento psíquico. Em muitos casos, os tra-
balhadores têm que criar estratégias perigosas para impedir
que os erros parem o processo, como improvisar ferramentas,
incumprimento de procedimentos de segurança, etc. Analise
quantas vezes você erra na digitação dos seus documentos
e quantas vezes você consegue corrigir. Imagine você não
poder fazer essa correcção, pois assim funcionam alguns sis-
temas, não permitem a correcção, nesses casos o sofrimento
psíquico é muito grande. Lembramos também que emmuitos
casos o sistema induz o trabalhador ao erro.
Mudanças no decorrer do turno:
o ser humano faz um pla-
neamento mental das acções que realizará e com isso faz a
calibração do seu corpo, assim como antecipa as acções ne-
cessárias para execução desta actividade. Quando existem
mudanças inesperadas na programação, há aumento da carga
mental do trabalho, como resposta à exigência da nova situ-
ação, essa reprogramação das acções aumenta e muito o so-
frimento mental. Empresas que mudam constantemente suas
acções propõem maior sofrimento mental, uma vez que os
trabalhadores passam a manter um alto grau de produção de
adrenalina e noradrenalina, como mecanismo compensatório
destas situações. Vejam um exemplo quando o salário atrasa
na qual o trabalhador fez um plano para cumprir.
Treinamento e aprendizagem:
a carga mental do trabalho
poderá ser aumentada pela fragilidade do sistema de treina-
mento empregado pela empresa. Em muitos casos, o treina-
mento se mostra inadequado e por vezes distribuído pelos
piores trabalhadores, que ao contrário dos melhores trabalha-
dores posicionados nos piores postos, não possuem tempo
para acompanhar esses jovens, de facto colocamos nossos
melhores trabalhadores nos piores postos. A grande relação
entre carga mental de trabalho e estratégia de treinamento
merece grande atenção das empresas, visto que muitas boas
regulações podem ser distribuídas como ferramentas para a
redução dos esforços psicofísicos, porém essas boas acções
normalmente estão na mão dos melhores trabalhadores.
Uso da memória:
Os sistemas não devem depender da me-
mória humana, mas do desenvolvimento do próprio sistema.
Vamos imaginar um motorista de taxi, transitando numa
grande cidade, empregando sua memória como fonte de di-
reccionamento e acção, e outro motorista utilizando um GPS,
quem sofre menos? Evidentemente, o motorista que utiliza
e emprega o GPS. Imaginem no seu trabalho, trabalhadores
que conseguem operar somente pautados na memória, na
lembrança, isso é perigoso para o próprio sistema.
Quantidade do sono:
trabalhar com sono é um verdadeiro
tormento para alguns trabalhadores, uma tortura, porém o tipo
de actividade tem relevância na avaliação da sobrecarga, isto
porque o sono para um operador de sala de controlo ou um
motorista de camião têm diferentes impactos se comparados ao
cortador de grama, por exemplo. A quantidade de sono é im-
portante para que possamos avaliar se existe ou não sobrecarga.