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Em 1918, Alice Hamilton estudou os mineiros utilizando mar-
telos pneumáticos em pedreiras em Bedford, Indiana, e des-
creveu uma anemia das mãos. Nos anos 60 e 70 a síndrome
da vibração foi associada com a gasolina utilizada nas motos-
serras no trabalho florestal.
Várias conferências internacionais (Dundee em 1972, Cincin-
natti em 1975, Ottawa em 1981, Helsinki em 1985, Kanazawa
em 1989, Bonn em 1992, Praga em 1995, Umea em 1998, Nancy
em 2001 e Las Vegas em 2004) contribuíram eficientemente
para desenvolver a investigação e aplicação do conhecimen-
to.
No trabalho de investigação “A Directiva Europeia 2002/ 44/
CE: dificuldades e consequências na protecção dos trabalha-
dores face aos riscos de vibrações” (Guisado, 2008), afirmava
que “este tema se encontra num estádio inicial, no domínio
científico, e algumas questões colocadas ainda não tiveram
resposta”.
Conforme podemos verificar existe uma preocupação nos
meios científicos mundiais com a exposição a vibrações, não
tendo até ao momento sido encontradas respostas a diversas
questões, como por exemplo a que se levanta no ponto se-
guinte (o que sucede quando órgãos do corpo humano são
expostos a frequências de vibrações que os fazem entrar em
ressonância durante muito tempo (ex: os olhos).
Convêm salientar que não é fácil relacionar uma lesão verifi-
cada num trabalhador com a exposição às vibrações no am-
biente de trabalho, uma vez que esta exposição também se
pode verificar ou verifica muitas vezes nas deslocações de, e
para o local de trabalho, ou noutros locais (empresas) onde
o trabalhador desenvolveu a sua actividade anteriormente,
assim como em outras actividades relacionadas com os seus
tempos de lazer.
Esta é uma das razões que dificulta uma clara abordagem a
este problema, a outra é a que se prende com a forma de ava-
liação do risco da exposição às vibrações, assim como as me-
todologias utilizadas no seu cálculo.
As
vibrações
definem-se como um movimento oscilatório de
um corpo em torno do seu ponto de equilíbrio. O número de
vezes que este ciclo se repete, por segundo, designa-se por
frequência e é medido em Hertz (Hz).
A
amplitude da vibração
, que caracteriza e descreve a di-
mensão da vibração, pode ser classificada de várias formas.
A figura 1 mostra a relação entre o nível pico-a-pico, nível de
pico, nível médio e nível RMS de um sinal sinusoidal.
O
valor pico-a-pico
indica a máxima amplitude da onda
e é usado, por exemplo, onde o deslocamento vibratório da
máquina é parte crítica na tensão máxima de elementos de
máquina.
O
valor de pico
é particularmente usado na indicação de ní-
veis de impacto de curta duração.
O
valor médio
, por outro lado, é usado quando se quer levar
em conta um valor da quantidade física da amplitude num
determinado tempo.
O
valor RMS
é a mais importante medida da amplitude por-
que ele mostra a média da energia contida no movimento vi-
bratório. Portanto, mostra o potencial destrutivo da vibração.
Figura 1 – Representação da intensidade da vibração.