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Sabemos que a saúde e o equilíbrio mental se afirmam como
cruciais no ambiente de trabalho, de forma simbiótica inclusi-
vamente. E sabemos também que a segurança no trabalho é
um valor inegociável para as empresas que se preocupam com
a integridade dos seus funcionários.
Todavia, parece que todos nós conhecemos alguém que esteja
deprimido por desempenhar aquele trabalho monótono, sem
significado e aborrecido. O/a seu/a colega já se queixou de
stress durante a maior parte do seu horário de trabalho? Co-
nhece alguém que sofra de exaustão física e emocional, com
um burnout?
Além disso, continuam a existir acidentes no trabalho. Porquê?
Se uma empresa tem programas de prevenção de acidentes no
trabalho, equipamentos de protecção individual (EPI’s), equi-
pamentos de protecção colectiva, etc. Nós sabemos as regras.
Os equipamentos são eficazes. Os processos de segurança são
perfeitos.
O que é preciso então para aperfeiçoar esses processos? De
acordo com o palestrante Eduardo Peres é a consciência das
pessoas, a consciência de seguir as regras em qualquer situa-
ção e hipótese. Mas voltemos a esta ideia mais tarde.
Face às constantes mudanças e muita turbulência num merca-
do altamente globalizado e competitivo que as empresas en-
frentam, juntemos agora à fórmula da saúde mental e da felici-
dade, a motivação das pessoas. Esta última é fundamental para
a superação rápida e eficiente de novos desafios, com elevados
padrões de desempenho organizacional.
A motivação no trabalho tem ocupado um lugar central na
Psicologia das Organizações e do Trabalho sendo também do
interesse da Psicologia Positiva. A partir do momento que a
pessoa está motivada, ela por si só reduz o risco de acidente
de trabalho. Ela é mais feliz e obtém maior qualidade de vida.
Continuemos a deambular à volta destas ideias.
Repare-se que, quando nos encontramos mais envolvidos e
comprometidos com o trabalho, experimentamos mais emo-
ções positivas o que, por sua vez, contribui para níveis mais
elevados de produtividade e desempenho.
Oprincípio parece simples diz-nos Carlos Piera (coach fromDe-
livering Happiness): pessoas felizes trabalhammais e melhor.
Em termos científicos, quando experienciamos emoções po-
sitivas notamos um aumento nos níveis de serotonina e de
dopamina, os quais compõem neurotransmissores, isto é, subs-
tâncias químicas libertadas pelas células nervosas com intuito
de transmitir sinais a outras células nervosas. Estas substâncias
irão estimular os nossos cérebros para a aprendizagem como
também proporcionar-nos prazer.
Alcançamos uma eficiência adicional em termos de organiza-
ção, retenção e recuperação da informação. Paralelamente, as-
siste-se a um aumento na rapidez do raciocínio, na criatividade,
na capacidade de olhar para as dificuldades de forma alternati-
va, aumentando a competência de resolução de problemas e de
análise de informação complexa.
A pergunta de ummilhão de dólares é: "Como é que se garante
a felicidade no local de trabalho? O que Carlos Piera propõe às
empresas antes de mais, é envolver todos na definição da cultu-
ra de empresa para que se sintam integrados. Este é claramente
o primeiro passo.
Segundo outros especialistas, o/a profissional só alcançará a fe-
licidade no trabalho quando ele/a souber priorizar a qualidade
de vida, isto é, ele/a tem de conseguir relacionar o seu bem-es-
tar com o da empresa. Segundo Chiavenato (1995), a qualidade
de vida no trabalho assimila duas posições distintas:
- Por um lado, as aspirações da pessoa em relação ao seu bem-
estar e satisfação do trabalho;
- E por outro, o interesse da organização quanto aos seus efeitos
nos objectivos organizacionais.
Se se conseguir este equilíbrio, o trabalhador/a irá sentir-se es-
timulado, motivado e feliz todos as manhãs ao arrastar-se para
fora da cama para ir trabalhar.