magazine RISCO ZERO n7 - page 5

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EDITORIAL
Eng. Paulo Beaumont
O acidente que envolveu o actor Harrison Ford durante a rodagem de mais um filme da saga
Star Wars - "O despertar da força" vai custar 1,7 milhões de euros à produtora Foodles Pro-
duction, responsável pelas filmagens no Reino Unido, multa esta imposta por um Tribunal
do Trabalho, no dia 12 de Outubro de 2017.
Em Junho de 2014, o actor norte americano, na altura com 71 anos, sofreu uma fractura na
perna e diversas escoriações ao ser golpeado por uma porta hidráulica enquanto filmava nos
estúdios de Pinewood, no cenário da nave espacial Millennium Falcon.
O acidente obrigou a uma intervenção cirúrgica e a uma prolongada pausa nas filmagens.
A produtora filial da companhia americana Disney, já tinha admitido algumas infracções às
normas de segurança, e foi acusada de não garantir a protecção de actores, bem como dos
trabalhadores associados às filmagens.
Um porta voz da Entidade Pública responsável pela Segurança e Saúde no Trabalho do Rei-
no Unido (HSE - Health and Safety Executive) relatou, durante a decisão do tribunal, que o
actor foi derrubado pela porta com tal força comparável a um atropelamento por uma viatura
na via pública.
Segundo o juiz, houve uma “grande falha de comunicação” dentro da produtora, já que fez
uma avaliação preliminar dos riscos mas não a comunicou aos actores e figurantes. Omagis-
trado reforçou a ideia de que, se há documentos técnicos a atestar situações de risco estes
devem ser comunicados a todos os intervenientes de modo a alertar sobre os riscos associa-
dos ao trabalho a ser desenvolvido.
De salientar que organizações como HSE e suas congéneres europeias têm como medida de
cálculo da multa um valor tipificado multiplicado pelo número de pessoas envolvidas, valor
este sempre agravado quando a decisão sobe a tribunal.
Esta notícia traz-nos à reflexão sobre o que se vai passando por esse mundo fora naquilo que
diz respeito à Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho (SHST). Por cá, segundo a legislação
angolana, cada infracção registada pela IGT resulta em multa cujo cálculo é feito na base de
10 vezes o salário médio praticado na empresa.
Em suma, o critério de aplicação de multas nesta área prende-se ao facto de que, todo o
trabalho deve ser avaliado em termos dos riscos profissionais que esses trabalhos arrastam e
que, quanto maior for o número de pessoas envolvidas maior será a probabilidade de alguém
ser envolvido em acidentes de trabalho. Por isso, compete às entidades empregadores zela-
rem pela segurança e saúde dos seus trabalhadores em todos os aspectos relacionados com
o trabalho. Não basta ter os serviços de SHST e ter a Comissão de Prevenção de Acidentes
de Trabalho (CPAT) constituídos na empresa. Há que assegurar uma boa comunicação so-
bre formação e informação dos riscos a que os trabalhadores estão expostos.
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