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5 PERGUNTAS A
PAULO BEAUMONT
1-
De que modo investir em Segurança, Higiene e
Saúde no Trabalho representa uma ferramenta para
analisar o desempenho da empresa?
Os estudos têm demonstrado que os acidentes de trabalho
afectam negativamente o PIB de um país o que significa per-
das para a sua economia. Esta evidência, por si só, deveria ser
levada em conta para entender a Segurança, Higiene e Saúde
no Trabalho (SHST) como um investimento ou seja, um factor
para o sucesso do negócio.
2-
Sendo a SHST um dos factores relacionados com
o aumento da produtividade e competitividade no
mercado, qual a razão para que as empresas não se-
jam muito receptivas à sua implementação?
A rendibilidade das acções preventivas não se percebe de
imediato, ainda que exista. A percepção de que esta inversão
se baseia na transformação de centro de custos num centro
de benefícios é dificultada por existir uma componente im-
portante de capitais intangíveis. Por outras palavras, o retorno
sobre o investimento que cada unidade gasta no bem-estar do
trabalho e programas para a promoção da saúde no local de
trabalho estima um retorno da inversão dos custos de investi-
mento na doença profissional.
De um modo geral, o empregador, dispõe da informação do
custo económico do acidente de trabalho, o qual praticamente
se limita ao conhecimento da quantia/ indeminização paga
pelo acidente de trabalho e/ou pela doença profissional. Infe-
lizmente, não existe a prática de contabilizar o custo das acti-
vidades dirigidas à prevenção dos riscos laborais, o custo não
segurado da diminuição da produção e o custo não segurado
da perda tempo dos trabalhadores.
3-
Face à explicação anterior, poderemos afirmar
que as empresas ainda não assumiram a uma cultura
de SHSTcomo uma boa prática no meio laboral?
Exactamente. Por esse motivo, o CSST enquanto entidade res-
ponsável pela regularização, certificação, formação e presta-
ção de serviços no domínio da SHST, tem como uma das suas
prioridades alertar e sensibilizar as empresas para a criação
de uma cultura de SHST. Estamos a falar de uma cultura com
princípios assentes na Prevenção!
Assim, à semelhança do que acontece em qualquer área de
cariz preventiva, uma das componentes fundamentais é a
formação. Por conseguinte, o CSST tem apostado na incre-
mentação da Formação sobre esta matéria para dotar empre-
gadores e trabalhadores de conhecimentos que permitam o
despertar e consciencialização da necessidade de uma cultura
organizacional que promova melhores condições de trabalho.
4-
Afirmou que a SHST está subjacente a uma in-
tervenção preventiva. Como enquadrar os EPI nesse
contexto?
Os EPI conforme a sua designação (Equipamentos de Protec-
ção Individual) constituem uma acção de protecção! Nos dias
que correm, continua a persistir a ideia de que a Segurança,
Higiene e Saúde no Trabalho se resume a dotar os trabalha-
dores com EPI.