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O conceito de poeiras pode ser definido de diversas formas,
sendo uma delas “toda a partícula sólida de qualquer tama-
nho, natureza ou origem, suspensa ou capaz de se manter em
suspensão no ar.”
Deste modo, consideram-se poeiras, as partículas contami-
nantes presentes em suspensão na atmosfera respirável, ori-
ginadas pelo manuseamento de determinados materiais e por
processos mecânicos de desintegração.
2.1. TIPO DE POEIRAS
A classificação das poeiras pode ser efectuada tendo por base
as suas características físicas, químicas ou biológicas. Alguns
dos critérios mais importantes incluem a composição, dimen-
são das partículas, densidade, taxa de sedimentação e área
superficial.
A importância da classificação das poeiras prende-se com o
facto que, de acordo com as suas características, o efeito no
indivíduo será diferente.
Deste modo, as poeiras Industriais podem classificar-se em
função: a) do tamanho; b) da forma; c) da composição; d) dos
efeitos provocados no trabalhador.
Tendo em conta a sua dimensão, as poeiras são classificadas
pela
American Conference of Governmental Industrial Hygie-
nists
(ACGIH), que define diferentes níveis do aparelho respi-
ratório, considerando os seguintes tipos de fracção:
× fracção inalável
– para as partículas potencialmente peri-
gosas que atingem qualquer região do aparelho respiratório.
Têm tamanho menor que 10
μm
.
× fracção torácica
– para as partículas potencialmente peri-
gosas quando atingem a região pulmonar e alveolar. O seu
tamanho é inferior a 5
μm
.
× fracção respirável
– para poeiras potencialmente perigosas
quando atingem a região alveolar.
O tamanho das poeiras determina a localização e extensão da
deposição destas no aparelho respiratório.
×
Partículas com 8 a 10 microns são inaladas e ficam deposita-
das nos brônquios, bronquíolos e na traqueia;
×
Partículas menores que 5 microns passam mais facilmente
pelo aparelho respiratório, depositando-se ao nível dos alvé-
olos pulmonares, sendo posteriormente absorvidas por eles.
De acordo com a reacção que provocam no organismo, po-
dem distinguir-se partículas:
× Inertes:
Não produzem alterações fisiológicas significativas,
mas podem ficar retidas nos pulmões e, ao atingir concentra-
ções elevadas, apresentam problemas.
× Alergizantes:
Podem actuar sobre a pele ou sobre o apare-
lho respiratório, provocando reacções alérgicas.
× Pneumoconióticas ou fibrogénicas
: Susceptíveis de pro-
vocar reacções químicas ao nível dos alvéolos pulmonares e
alterações fisiológicas originando graves doenças.
No que se refere à composição das partículas, estas podem
ser classificadas segundo a origem: a) animal; b) vegetal; c)
mineral.
2.2. EFEITOS DAS POEIRAS
As poeiras, podem ser fonte de patologias no aparelho respi-
ratório de acordo com as suas propriedades físico-químicas
dos materiais inalados, do local de deposição das partículas
no seio do aparelho respiratório e da susceptibilidade indivi-
dual que cada pessoa apresenta, bem como de patologias do
foro da pele.
Considerando só o aparelho respiratório, quanto menor for a
dimensão da partícula, maior é a capacidade que esta tem de
se depositar nas várias fracções do aparelho respiratório.
As pneumoconioses são provocadas pela acumulação de par-
tículas sólidas no seio do sistema respiratório, conduzindo a
fibroses no tecido o que condiciona alterações da função res-
piratória.
Uma das definições de pneumoconiose aceite era a de que se
tratava de uma “doença diagnosticável dos pulmões, provoca-
da pela inalação de poeiras, sendo o termo “poeira” entendido
como referente a partículas no estado sólido, mas excluindo
organismos”. Mais recentemente, define-se que “Pneumoco-
niose é a acumulação de poeiras nos pulmões e a reacção do
tecido à sua presença”. Nem toda a exposição a poeiras resulta
em pneumoconiose. Os pulmões têm mecanismos altamente