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eficientes para prevenir a deposição de poeiras nestes. Estes
processos vão desde uma simples filtração/ sedimentação no
nariz até à presença de muco nos brônquios que não permite
a passagem das partículas. Só as poeiras com diâmetro infe-
rior a 0,3
μm
atingem os espaços de ar nos pulmões em nú-
mero significativo, e a grande maioria destas têm menos de
0,1
μm
de dimensão.
A pneumoconiose pode tornar-se incapacitante ou não, de-
pendendo da quantidade de tecido pulmonar que se tornou
disfuncional devido à presença das partículas.
A resposta do sistema imunitário humano a ameaças exter-
nas provocadas por poeiras pode assumir também a forma
de reacções alérgicas nas vias respiratórias. Os sintomas in-
cluem tosse, dificuldade de respiração, respiração ruidosa e
ofegante, espirros, obstrução nasais, comichão e inflamação
nos olhos, assim como febre, dores musculares e dores nas
articulações.
Todas estas doenças têm determinadas características co-
muns:
×
São necessárias exposições repetidas, quer sejam de baixas
concentrações e longa duração ou de fortes concentrações e
curta duração, para que a doença se desenvolva. Durante este
período podem não existir sintomas.
×
Podem ser afectadas apenas algumas das pessoas expostas.
×
A partir da altura em que a pessoa se torna sensível, mesmo
quando o contacto com pequenas quantidades da substância,
corresponder a níveis muito inferiores aos que inicialmente
provocaram o estado de hipersensibilidade, podem desenca-
dear os sintomas.
Para além disso, é importante ter em conta que os microrga-
nismos podem penetrar no corpo humano através de lesões
cutâneas ou das membranas mucosas, podendo também ser
inalados ou ingeridos, causando infecções do tracto respirató-
rio superior ou do aparelho digestivo.
2.3. CONTROLO DA EXPOSIÇÃO ÀS POEIRAS
O grau de exposição é determinado a partir da concentração
de poeiras no ar, da duração da exposição e da possibilidade
de entrada no organismo humano.
Considera-se que a via de entrada mais importante para a
maioria dos contaminantes químicos é a via respiratória.
Qualquer substância suspensa no ambiente pode ser inalada
(dependendo da sua dimensão). A quantidade de contami-
nante absorvido por via respiratória está relacionada com a
concentração no ambiente, do tempo de exposição e da acti-
vidade pulmonar. Assim, é importante ter em conta que, além
da susceptibilidade individual, outro factor que influencia a
absorção do agente é o nível de actividade física (que por sua
vez, influencia o ritmo respiratório).
Os
Valores Limite de Exposição
(VLE, ou TLV) aplicam-se
a concentrações de partículas na atmosfera respirável e defi-
nem as condições às quais se crê que a maioria dos trabalha-
dores possa estar expostos a estas, dia após dia, sem que disso
resultem efeitos nefastos para a sua saúde.
A noção de VLE não permite determinar uma fronteira entre
os ambientes perigosos e aqueles que não o são, isto porque o
controlo das concentrações nos locais de trabalho dá lugar à
ocorrência de margens de erro (que podem ser consideráveis,
de acordo com as condições verificadas) e devido à tal suscep-
tibilidade individual que tem vindo a ser referida (que justifi-
ca o facto de poderem existir trabalhadores que podem sentir
desconforto com determinadas substâncias a concentrações
inferiores ou iguais ao VLE).
Perante isto, entende-se porque os valores limite de exposição
não devem ser considerados como valores autorizados, mas
somente como valores indicativos que não dispensam uma
vigilância médica atenta aos trabalhadores expostos. É que
há trabalhadores de especial sensibilidade quando expostos
a determinados agentes.
A melhor opção é, de facto, manter os níveis de concentração
o mais baixo possível para todos os contaminantes.
3. Estudo de caso
O estudo desenvolveu-se no âmbito do plano de actividades
do serviço de Higiene no Trabalho, numa empresa industrial,
cuja principal actividade é a transformação de arroz, empaco-
tamento e comercialização do mesmo.
O espaço de trabalho divide-se em vários locais sendo o mais
importante, e objecto do estudo, a descarga de matéria-prima,
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