Magazine Risco Zero #36
Ao longo de avaliações realizadas em cozinhas industriais,tenhoobservadoquemuitosresponsáveis pela higienização associam a ausência do odor da lixívia ou de outros produtos de limpeza a uma limpeza ineficaz. Nos último anos como profissional de QSSA decidi implementar produtos com pH quase neutros que mantêm a mesma eficácia das limpezas que preservam a saúde do empregado de limpeza. Vale ressaltar que um ambiente limpo não significa, de todo, um ambiente seguro para quem realiza a limpeza. Nas formações e palestras que ministro, as vezes cito a seguinte máxima: "A diferença entre o veneno e o remédio está na dose."precisamos dosear por meio de instrumentos aprovados, os produtos químicos para evitar usarmos o olhómetro e cheirómetro para julgar que o produto está na dose exata para a eficácia da limpeza. Quando usamos correctamente os productos de limpeza nas cozinhas industriais, esses contribuem para eliminar agentes contaminantes e proteger a saúde do manipulador dos mesmos. Porém, quando utilizados diariamente, em concentrações inadequadas, em ambientes pouco ventilados ou sem o devido controlo da exposição, podem representar um risco ocupacional para os trabalhadores. A ideia de que o cheiro forte significa limpeza eficaz pode criar uma sensação falsa de segurança. Em muitos casos, essa crença pode levar à utilização excessiva de produtos químicos, em ambientes pouco ventilados e até mesmo levar a banalização de sintomas como irritação dos olhos, falta de conforto respiratório, dores de cabeça, regularmente encarados como consequências "normais" do trabalho. Assim, uma prática destinada a proteger a saúde pode, de forma contrária, expor os trabalhadores a riscos químicos que passam despercebidos. Eng. Francisco José × Engenheiro Ambiental, Técnico Superior de Segurança do Trabalho e Consultor de Qualidade, Saúde, Segurança e Ambiente Como em qualquer outro risco ocupacional, a prevenção começa pelo reconhecimento da exposição. Novamente mais uma máxima que gosto usar: "o que não se pode medir, dificilmente se pode gerir". A segurança dos processos de higienização não pode ser avaliada pelo potencial do odor dos produtos utilizados, mas sim pela eficácia do método aplicado e pelo controlo das condições de exposição dos trabalhadores. Hoje a evolução da indústria química demonstra que a eficácia da limpeza já não precisa estar intimamente associada à agressividade dos produtos utilizados. O verdadeiro indicador de excelência em higiene é a capacidade de alcançar elevados padrões microbiológicos com a menor exposição possível dos trabalhadores aos agentes químicos. Nesse contexto, quando envidamos esforços para substituir produtos perigosos, por um produto que representa poucos riscos para o trabalhador de limpeza, ventilar melhor os ambientes de trabalho, promovermos formações contínua dos trabalhadores, quer seja, on job ou em sala de formação sobre o uso correto dos produtos de limpeza, bem como avaliação periódica da exposição ocupacional do trabalhadores por meio de exames médicos por um profissional especialista, constitui um passo essencial para promover ambientes de trabalho simultaneamente limpos, seguros e sustentáveis. /53
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