Magazine Risco Zero #36

Referências bibliográficas: 1. ILO (1985). Occupational Health Services Convention (No. 161). 2. ILO (2010). List of Occupational Diseases (Revised 2010). 3. ILO (2022). Diagnostic and Exposure Criteria for Occupational Diseases. 4. Mahmud et al. (2010). Pre-employment examinations… 5. OEUK (2026). Medical Fitness for Offshore Work. Issue 8.1a. (2026). 6. Sousa Uva (2010). Saúde, Doença e Trabalho. 7. WHO (2017). Protecting Workers' Health. Dra. Paula Figueiredo Madaleno × Médica, Especialista emMedicina do Trabalho × Mestre em Saúde Ocupacional - Especialidade de Medicina do Trabalho × Directora Clínica - Consaúde Medicina no Trabalho × Certificação OUEK nº 2023/3318. × Membro da Comissão Internacional de Saúde Ocupacional (ICOH) × Membro da Comissão Internacional de Saúde do Trabalho (CIST) /41 exposição. O centro da decisão deixa, assim, de ser o «pacote de exames» e passa a ser a relação entre exposição e efeitos potenciais na saúde. Atítuloelucidativo, aaudiometria justifica-seemtrabalhadores expostos ao ruído. A monitorização da colinesterase é indicada em trabalhadores que manipulam pesticidas organofosforados. Em funções offshore, determinados perfis de risco podem justificar avaliações cardiometabólicas ou funcionais adicionais. De igual modo, a vigilância respiratória assume particular relevância em atividades com exposição significativa à sílica, como a mineração, as pedreiras e alguns processos da construção civil (ILO, 2022; OEUK, 2026). Nenhum destes exames é universal. O seu valor depende da exposição que se pretende vigiar. O desafio para Angola não está apenas em aumentar o número de trabalhadores abrangidos pela vigilância da saúde, mas em garantir que essa vigilância seja efectiva, orientada pelas exposições profissionais e capaz de proteger a saúde dos trabalhadores. O atual quadro normativo beneficiário da elaboração de referenciais nacionais de vigilância da saúde orientados pela exposição profissional, desenvolvidos com o contributo da Inspeção Geral do Trabalho, Sociedade Angolana de Medicina do Trabalho e demais instituições técnicas competentes. Estes referenciais poderiam definir um núcleo mínimo de exames por exposição profissional ou grupo de actividade, passível de adaptação à avaliação de riscos de cada empresa. Mais do que cumprir uma exigência administrativa, trata- se de consolidar uma cultura de prevenção baseada na evidência. Em saúde ocupacional, o que não se vê tem de ser procurado, o que é medido tem de ser compreendido e o que é compreendido pode, finalmente, ser prevenido.

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