Magazine Risco Zero #36

ARTIGO PROFISSIONAL EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL A FUMOS METÁLICOS Em trabalhos desenvolvidos em contexto de serralharia, existe o risco de inalação de fumos metálicos que não são mais que a libertação de micropartículas originadas no processo de queima (quando os metais são aquecidos) ou no processo de arrefecimento muito rápido no ar (soldadura e fundição). Os trabalhadores que estão expostos grande parte da jornada de trabalho a esses fumos, correm uma maior probabilidade de vir a contrair uma doença profissional cujo quadro inicial de sintomatologia se prende com irritações respiratórias, tosse persistente, gripes, podendo derivar para quadros de asma, de bronquite e em último caso doenças no sistema nervoso central e cancro dos pulmões. Dr. A. Costa Tavares São actividades com perigos e riscos que no seu dia-a- dia passam despercebidas ao comum dos trabalhadores, descurando por essa via, a necessária proteção colectiva e individual. Basta visitarmos inúmeras oficinas de serralharia para nos apercebermos que o seu uso é meramente residual e circunstancial, utilizando os equipamentos de proteção apenas quando sentem que vão ser alvo de um processo de acompanhamento pela segurança e saúde no trabalho, por uma entidade externa em processo de certificação ou de fiscalização. Ou seja, tudo se torna silencioso, invisível e não controlado nas práticas de trabalho diárias, independentemente de existirem procedimentos e instruções de trabalho que, em bom rigor, servem mais para alimentar processos de certificação, do que para prevenir efectivamente doenças ocupacionais e promovendo locais de trabalho mais saudáveis, quer fisiologicamente, quer psicologicamente. Lembremo-nos que mais de 90% destes fumos metálicos oriundos do processo de soldadura tem menos de um mícron de tamanho, ou seja, por outras palavras, eles possuem um diâmetro 50 vezes menor do que a espessura de um cabelo, representando no nosso entender um risco acrescido facilitador de inalação. O que podemos então fazer: Existem no nosso entender algumas estratégias no sentido de prevenir a probabilidade de intoxicação dos trabalhadores mediante medidas de protecção colectiva como: • Rotatividade da exposição (diminuindo o tempo de exposição aos agentes nocivos e agressivos); • Renovação do ar com entrada de ar exterior e saída de ar interior; • Formaçãonaáreadaprevençãoesensibilização (procurando despertar os trabalhadores para o conhecimento destes riscos e aumentarem o grau de exigência no que comporta à sua prevenção/protecção e acompanhamento médico); • Aposta (investimento) na extracção localizada (na fonte) dos fumos produzidos nos processos de soldadura (evitando a dispersão para a atmosfera laboral); • Redução da periodicidade dos exames médicos periódicos (estes trabalhadores enquadram-se pelo acima exposto num grupo de risco, pelo que cabe aos técnicos de segurança e saúde propor a redução da periodicidade dos exames médicos junto dos recursos humanos); E finalmente a disponibilização de máscaras FFP3 que têm uma maior capacidade de retenção de partículas finas onde se enquadram estes fumos metálicos sem esquecer da máscara de soldadura, com ou sem apoio de mãos mediante o tempo de trabalho do operador. magazine risco zero

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