Magazine Risco Zero N.º 34
Esta resistência pode estar enraizada em culturas organizacionais conservadoras, na perceção de que a sustentabilidade representa um custo adicional, ou na falta de compreensão sobre os seus benefícios reais, nomeadamente: • Cultura organizacional enraizada em práticas tradicionais, onde a sustentabilidade é vista como um custo adicional e não como um investimento estratégico. • Falta de sensibilização e formação sobre os benefícios da sustentabilidade, tanto a nível económico como social e ambiental. • Desconexão entre departamentos, dificultando a transversalidade das políticas de SHST, ambiente, qualidade e responsabilidade social. • Medo da complexidade ou da perda de controlo, especialmente em estruturas hierárquicas rígidas, onde a inovação é percebida como uma ameaça à estabilidade. No contexto da SHST, esta resistência pode traduzir-se na não valorização dos riscos psicossociais, na subestimação da diversidade dos trabalhadores e na ausência de indicadores sociais nos sistemas de gestão. Mesmo em organizações certificadas, como pelas normas ISO 45001 que inclui os requisitos da ISO45003, a eficácia depende da intenção real de mudança e da liderança comprometida com a transformação cultural. Superar esta resistência exige: • Liderança consciente e inclusiva, que promova o diálogo, a escuta ativa e a participação ativa na definição de estratégias. • Integração da sustentabilidade nos objetivos estratégicos, com metas claras e mensuráveis. • Formação contínua, que envolva todos os níveis da organização, desde a gestão de topo até às equipas operacionais. • Comunicação transparente, que demonstre os impactos positivos da sustentabilidade na produtividade, reputação e bem-estar dos colaboradores. A sustentabilidade não é um projeto paralelo mas sim uma forma de pensar e agir que deve estar presente em todas as decisões nas organizações, especialmente naquelas que envolvem a saúde, segurança e dignidade das pessoas. E como qualquer mudança cultural profunda, exige tempo, consistência e coragem. ODS como Alicerce para uma Cultura SHST Sustentável e Equitativa Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) oferecem um quadro estratégico e orientador para transformar a Segurança e Saúde no Trabalho (SHST) numa prática verdadeiramente sustentável, inclusiva e centrada nas pessoas. Ao alinhar as políticas e práticas de SHST com os ODS, as organizações não apenas cumprem compromissos globais, mas também fortalecem a sua resiliência, reputação e impacto social. Em particular, os seguintes ODS são fundamentais para este caminho: • ODS 3 – Saúde e Bem-estar: Promove ambientes de trabalho que protejam a saúde física e mental dos colaboradores, com foco na prevenção de doenças ocupacionais e riscos psicossociais. • ODS 5 – Igualdade de Género: Incentiva a eliminação de barreiras e discriminações, garantindo que mulheres e homens tenham acesso equitativo à segurança e às oportunidades no trabalho. • ODS 8 – Trabalho Digno e Crescimento Económico: Valoriza condições de trabalho seguras, justas e produtivas, reconhecendo que a dignidade no trabalho é essencial para o desenvolvimento sustentável. • ODS 10 –ReduçãodasDesigualdades: Reforça a importância de políticas inclusivas que considerem as necessidades de grupos vulneráveis, como trabalhadores migrantes ou expatriados, pessoas com deficiência ou populações marginalizadas. magazine risco zero
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