Magazine Risco Zero N.º 34
contemplados nos modelos tradicionais de avaliação. Pessoas com deficiência podem encontrar obstáculos físicos ou comunicacionais que comprometem a sua segurança e participação plena. Estas situações exigem uma abordagem mais sensível e personalizada, onde os fatores individuais e contextuais são analisados com rigor. Só assim se garante que a segurança, higiene e saúde no trabalho são verdadeiramente asseguradas, não apenas em teoria, mas na prática, no dia a dia. É fundamental que os slogans desenvolvidos pelas organizações deixem de ser apenas frases inspiradoras e passem a ser exemplos concretos de implementação, integração e eficácia. Uma cultura SHST inclusiva contribui diretamente para a redução de acidentes, incidentes e doenças profissionais, promovendo ambientes de trabalho mais justos, saudáveis e produtivos. Este compromisso está também alinhado com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), falados anteriormente, nomeadamente: ODS 3 – Saúde e Bem-estar ODS 5 – Igualdade de Género ODS 8 – Trabalho Digno e Crescimento Económico ODS 10 – Redução das Desigualdades Integrar estes princípios na cultura organizacional é um passo essencial para construir empresas mais humanas, resilientes e preparadas para os desafios do futuro. Desafios na construção de uma cultura inclusiva Apesar dos avanços significativos na área da Segurança e Saúde no Trabalho (SHST), ainda existem muitos desafios a superar, especialmente desafios estruturais que dificultam a construção de uma cultura verdadeiramente inclusiva e sustentável nas organizações: • Falta de representatividade nos processos de decisão em SHST, limitando a inclusão de diferentes perspetivas, experiências e necessidades dos trabalhadores. • Comunicação que nem sempre é adaptada às diversas realidades linguísticas, cognitivas e culturais, dificultando o acesso equitativo à informação crítica de segurança. • Aplicação insuficiente das normas e boas práticas, mesmo em organizações certificadas, onde apesar da existência de referenciais como a ISO 45003 (focada na gestão dos riscos psicossociais), nem sempre se verifica uma implementação eficaz e sensível às especificidades sociais e culturais. • Resistência à mudança, sobretudo em organizações mais conservadoras, onde a inovação em práticas de SHST e a integração da inclusão e da sustentabilidade são vistas como secundárias ou não prioritárias. Estes desafios exigem uma abordagem sistémica e integrada, onde a inclusão seja transversal às políticas, práticas e indicadores de SHST. Mais do que cumprir requisitos legais e normativos, trata-se de incorporar princípios de equidade, diversidade e inclusão como parte da estratégia organizacional e, acima de tudo, de os colocar em prática. A sustentabilidade nas organizações não se constrói com boas intenções ou processos formais isolados, mas sim com ações concretas, coerentes e contínuas que envolvam todos os níveis da estrutura. É fundamental que os compromissos assumidos não fiquem apenas nos documentos ou nos slogans institucionais, mas se traduzam em ambientes de trabalho mais seguros, saudáveis, inclusivos e resilientes. Para além disso, a construção de uma cultura inclusiva em SHST deve estar alinhada com os compromissos de sustentabilidade corporativa, reconhecendo que ambientes de trabalho seguros, saudáveis e inclusivos são essenciais para o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). A integração da SHST com a sustentabilidade permite às organizações não só proteger os seus colaboradores, mas também fortalecer a sua reputação, atratividade e resiliência a longo prazo. Resistência à Sustentabilidade nas Organizações A transição para modelos organizacionais mais sustentáveis é hoje uma exigência global, impulsionada por compromissos internacionais como os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) que são um conjunto de 17 metas globais estabelecidas pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2015, como parte da Agenda 2030. Estes objetivos visam enfrentar os principais desafios mundiais até 2030, promovendo um desenvolvimento que seja económico, social e ambientalmente sustentável. Para além dos compromissos internacionais, esta transição é também impulsionada pela pressão regulatória, pelas exigências dos mercados e pelas expectativas crescentes da sociedade civil, que valoriza cada vez mais organizações éticas, transparentes e responsáveis. No entanto, muitas organizações continuam a enfrentar resistência interna à mudança, o que dificulta a integração plena das politicas de sustentabilidade, incluindo na área da Segurança e Saúde no Trabalho (SHST). /21
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