Magazine Risco Zero N.º 30
programas de gestão e atenção a saúde; construindo para as relações, mais ética e empatia entre profissionais e pacientes, tornando desta forma o ambiente hospitalar mais humano e eficaz. Se todos nos focarmos no que realmente o verdadeiro conceito de humanização transmite, perceberemos que todas as unidades de saúde devem ser obrigadas a garantir, não só o atendimento prestado ao paciente, mas ir além da saúde física e psicológica do mesmo. Para além de consultar o doente, fazer um exame físico e solicitar exames, deve-se perceber todo o histórico do mesmo e atuar na prevenção. Nos dias atuais, temos nos deparado com um elevado nível de reclamações dos pacientes sobre as instituições hospitalares, tanto no sector público como no privado. As filas longas de espera, a falta de princípios nas ações humanas, demostração clara de falta de técnicas profissionais, défice na comunicação, entre outros, que nos leva a tornar os ambientes hospitalares hostis, interferindo grandemente na melhoria do paciente e na conclusão do objecto de trabalho do profissional de saúde. As acções desumanas interferem muito no cuidado, demostrando falta de qualidade no atendimento, desrespeito e falta de dignidade para com os pacientes, que para além das queixas clínicas e desconforto com relação a patologia que lhe levou a acorreu a unidade, têm de ser confrontado com a falta de humanização. Precisamos recuperar urgentemente as teorias de ética e modelos de analise teórica, que pode orientar a nossa forma de agir profissionalmente para garantir a humanização dentro do ambiente clínico. Entrelaçar o ambiente hospitalar com a relação cliente – profissional de saúde – instituição, e integrar os elementos próprios da conduta moral e profissional. A questão que não se quer calar: devemos voltar as escolas? as carteiras e nos reinventamos? termos mais formações sobre ética e cuidado? Solicitar auxílio das comunidades vizinhas que têm os modelos funcionais? criar intercâmbios internacionais?... Precisamos investir nas formações dos quadros, na sensibilização dos profissionais de saúde e garantir metodologias que exijam que cada profissional sinta e compreenda a necessidade do paciente. O bem cuidar deve envolver todo o circuito feito pelo paciente, dentro da unidade. Num contexto geral, nos dias de hoje, enquanto há vida, enquanto há vontade de competitividade, aumento de clientes nas instituições privadas e energias para desprender para melhoria dos estabelecimentos hospitalares, devemos exercer todo o esforço no sentido de devolver a humanização nas nossas unidades de saúde, visando a resgatar o carinho e a preocupação pelo próximo; no caso sendo o próximo o cliente, o utente e também chamado doente; desde a entrada na intuição até a saída; e muitas das vezes fazer que este sentimento seja arrastado até ao seu lar. Não podemos focar-nos na melhoria das instalações, redução de custos com investimento de quadros de baixa qualidade e aumento dos orçamentos, sem nos envolvermos nos cuidados, no sentir e perceber qual a verdadeira necessidade do paciente. Se resgatarmos a humanização teremos resultados nos objectivos traçados pelas intuições, ambientes saudáveis e população saudável acima de tudo. Embora a abordagem dos problemas de saúde, impliquem muito em intervenções nos factores sociais, políticos, comportamentais humanos, institucionais, tradicionais e tecnológico, concluo dizendo que devemos no cotidiano da pratica em saúde, exercer a nossa moralidade e aprendermos a nos colocar no lugar do outro, perceber o sentido de vida humana, as obrigações e os deveres; nos posicionarmos a cerca do bem e do mal, refletir como devemos atuar em relação a nós mesmos e aos outros, e principalmente como devemos ser enquanto profissionais de saúde dentro e fora do ambiente hospitalar. Se não nos esquecermos destes aspetos primordiais, sempre que entramos no ambiente hospitalar como profissionais, termos a capacidade de sairmos do nosso mundo e entrarmos no mundo dos outros, garantir as relações humanas, a comunicação, a escuta ativa, a analise dos sinais e todo o contexto ligado ao paciente, teremos cada dia estruturas chamadas hospitais e não hospitais no verdadeiro sentido da palavra. Essa é a chave para enfrentarmos alguns desafios éticos atuais e futuro dentro das instituições de saúde. /31 Enf. Carmen Andrade × GIUS – Unidade de Cuidados de Saúde × Licenciada em Enfermagem – Jean Piaget × Especialista em Obstetrícia – Jean Piaget × Especialista em Enfermagem Médico Cirúrgico (B.O) – CF.CMP × Mest. Gestão Hospitalar - Funiber
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