Magazine Risco Zero nº29

/55 os coletes, é obrigatório, e levam com eles, mas nem sempre dá jeito. Ligam todas as luzes, o motor fica em relantin, ficam 2 marinheiros a congelar peixe, os outros jogam as canas ao mar. “Usam Luvas?” “Botas de borracha?” “Aventais?” Claro que não. E por vezes com varas de 6 metros com uma linha que vai até aos 3 metros com um anzol na ponta, além de trazerem peixe, levam um bocado da orelha rasgada do colega ao lado, um furo no dedo, um bocado da camisola do marinheiro. A linha é atirada ao mar em alta escuridão, com as luzes do barco acesas. E assim trazem o peixe capturado para a proa. Um peixe de cada vez num lançamento com uma vara de 6 metros, e uma linha de 3. Atenção, não tem carreto para puxar a linha. Quando pensamos em termos de Segurança e analizamos todo o processo que falei até agora, o que podemos nós constatar relativamente a esta actividade? Que os perigos são muitos, os riscos ainda maiores e as medidas de prevenção, simplesmente, “colocamos nas mãos de Deus”, mais propriamente na Nossa Senhora do Cabo. Foi questionado ao mestre da embarcação se tinha perdido muitos pescadores, muitas embarcações, como é que sobreviviam em alto mar em matéria de saúde e segurança, ao qual me respondeu que tinha perdido um barco apenas uma vez, mas que teve muita sorte, porque perto havia uma outra embarcação que recolheu os marinheiros e não perdeu nenhuma vida. Que existem alguns acidentes com os anzóis e o atirar da vara, mas nunca precisou mandar ninguém para terra para tratamento. Que os entorses, os escorregamentos é o que afecta também muito os pescadores. E o Paludismo, mas que para isso vai sempre preparado (automedicação de sobrevivência). A barcaça que utilizam é um barco de pesca artesanal com cerca de 13 metros no máximo, que alberga além dos 5 marinheiros e o mestre, todos os outros itens necessários ao desenvolvimento e à sutentabilidade desta actividade em alto mar. Há relatos, de barcaças que perdem o fundo. Naufragam. Imaginem o peso que tem de acartar estas embarcações artesanais. Quem as prepara? Quem as dimensiona? Que tipo de manutenção têm? Saimos para o mar, qual é o risco que temos de não regressar? Todas as barcaças levam um gerador de cerca de 1000l de combustível ( para gerador e para o motor). Perguntei se sabiam da existência do monóxido de carbono libertado pelo gerador em funcionamento. Disseram que sim, que não havia problema, pois o gerador estava atrás e os marinheiros pescavam na proa. Ninguem ficava por ali na hora da pesca quando o gerador funcionava mais tempo. Que estão ao ar livre e por isso não tem problema. Nossa Senhora do Cabo, a proteger os nossos marinheiros. A idade média de vida de sobrevivência e de trabalho de um pescador, segundo eles, não passa dos 55 anos mas tem alguns pescadores mais velhos que ainda vão ao mar mas é uma vida muito dura, de muito esforço e de muito cansaço. É uma vida de desgaste, com todos os perigos inerentes a esta actividade que tem a ver com exposição solar, tem a ver com desidratação, tem a ver com cansaço extremo, trabalhar vários dias seguidos e com trabalho nocturn. Existe o risco de tombar, de cair ao mar, de ser resgatado ou não. Existe o risco também da própria pesca em si com os pequenos acidentes que já aqui falámos, o risco do tipo de embarcação, o risco de perderem o rumo se o motor falhar e se o GPS não funcionar, ou se não o tiverem que existem casos em que nem todos têm a possibilidade de ter um GPS ouum rádio, como a legislação obriga, e acartam apenas uma pequena bússula. A vida destes pescadores não é fácil. A maior parte da embarcação está ocupada com tudo o que têm de transportar. E estão 8 a 10 dias no mar. Claro que existe também a não menos arriscada pesca artesanal, baseda na economia familiar. Aqueles que saiem nas pequenas barcaças à vela, mais pequenas, que pescam mais perto da ilha afastando-se pouco da costa, utilizando na maioria das vezes a rede para a pesca de subsistência. Em que para sair analizam as condições marítimas, se tem chuva ou, vento, analizam a ondulação e a corrente. Sem saberem

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