Magazine Risco Zero nº29
magazine risco zero O nosso artigo desta edição fala sobre as condições de trabalho de uma das profissões mais arriscadas – pesca de subsistência artesanal. Para conhecer melhor esta actividade e melhor conceber este artigo, entrevistei dois pescadores da Ilha do Cabo – O sr João Janota e o sr. Joaquim Lemos, aos quais agradeço, bem como ao Mestre da embarcação, Sr Joaquim Lemos e ao meu colega Nelson Mendonça, que me proporcionou este encontro. A melhor forma de saber indentificar o perigo e o risco dado a uma dada actividade é conhece-la melhor. Falar com quem faz essa actividade, perguntar quais são as suas preocupações, quais são as suas dificuldades, e a partir daí avaliar e identificar os perigos e riscos associados de forma a indentificar as respectivas medidas de prevenção. Tanto o Sr. Janota como Sr. Lemos, fazem parte do grupo de pescadores da Ilha do Cabo em Luanda. De acordo com o seu testemunho aqui ainda não existem máquinas, não existem meios de pesca sofisticados. É uma pesca artesanal sujeita a todas as vulnerabilidades. A vida na faina por norma é muito dura e aqui na ilha do Cabo não deixa de ser menos dura. O pescador sai para a faina numa barcaça com 6 pessoas ( 5 marinheiros e mais o mestre da embarcação) com gerador com 2 arcas frigoríficas, 6 sacos de gelo, cerca de 1000 l de combustível, cerca de 350l água potável, mais a comida e seguem para a pesca em alto-mar que normalmente leva entre 8 a 10 dias. Perguntei se levava mala de primeiros socorros, e a resposta foi, “ ás vezes sim” mas o anti palúdico vai sempre. Por vezes falta comida, por vezes falta água, mas a necessidade de trazer o sustento da familia não os trava, por vezes têm a sorte de alguma embarcação que anda por perto os poder ajudar, ou conseguirem uma “boleia” para enviar um dos marinheiros a terra, para voltar com a reposição ds bens que necessitam. Para comunicarem entre eles usam rágio e têem sistema de GSPS para comunicar a localização (obrigatório um deles pela Lei das Pescas em Angola). “Têm de se manter em contacto”, diz o mestre de uma das embarcações que falou conosco, “Pois existem alguns desaparecimentos no mar”. Nesse sentido, e para que no porto as famílias fiquem mais tranquilas, têm de manter o contacto 2 vezes ao dia, uma entre as 7h e as 9h30m da manhã e outra entre as 17h e as 19h. Para pescar nestas barcaças as ferramentas que mais se utilizam são as “varas”, que são nem mais nem menos de que canas de bambu com 6 m de comprimento (3 braçadas como eles dizem) com um enorme anzol na ponta. Ou a linha com com isco ( que pode ser sardinha ou paieta que é a melhor ainda que lambula para a pesca (como curiosidade, a lambula é um tipo de sardinha “lombuda”, que tem lombo, daí o nome lambula, e a paieta, vem de “Palheta” que era usada aintigamente pelos marinheiros para encher as frestas com estopa). As varas são usadas em Alto mar para a pesca do Kimbumbo, Atum e Gaiado(este último é um atum com barriga ás riscas). Este tipo de pesca, por exemplo, é feito de noite. Pois assim é que conseguem obter mais sucesso na captura. Este peixe morde mais na escuridão. Noites de Lua cheia não são boas para ir a pesca, a sua preparação é assim baseada no calendário lunar. Por lá, em alto mar, chega a hora da pesca, até podem usar Eng,ª Carla Guerreiro ARTIGO TÉCNICO CONDIÇÕES DE TRABALHO – PESCA DE SUBSISTÊNCIA ARTESANAL
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