Magazine Risco Zero nº27
/9 semiescuras (como no uso da luz ultravioleta), podem causar a astenopia também considerada fadiga visual, o agravamento da ametropia (sendo os mais comuns a miopia, a hipermetropia, o astigmatismo e a presbiopia), lesões músculo-esqueléticas (sobretudo do pescoço e costas), dores de cabeça e dificuldade de concentração que podem reduzir a produtividade e aumentar a probabilidade de acidentes de trabalho. A exposição aos produtos químicos como o benzeno e hidrocarbonetos aromáticos, por exemplo nos trabalhadores de postos de gasolina; oficinas mecânicas; indústria gráfica e da indústria petrolífera, está associada a intoxicações com efeitos agudos e crónicos, a nível do sistema nervoso central. O benzeno é também o principal fator de risco para o desenvolvimento da leucemia mieloide aguda, linfoma não-Hodgkin, mieloma múltiplo e mielofibrose nestes trabalhadores. Os alergénios são considerados uma categoria específica de agentes biológicos, cuja exposição temopotencial de provocar uma reação de hipersensibilidade, por resposta imunológica específica, a um nível de exposição que é normalmente tolerado, em padeiros, marceneiros e carpinteiros. As doenças alérgicas por exposição a poeiras orgânicas incluem a Pneumonite de Hipersensibilidade ou alveolite alérgica extrínseca, ou alveolite alérgica extrínseca, asma ocupacional, rinito-conjuntivite alérgica e dermatites. A exposição as radiações ionizantes utilizadas em meio hospitalar, está associada a pneumonites por radiação, anemia, leucopenia, trombopenia ou diátese hemorrágica em profissionais expostos consecutivamente a irradiação aguda. São também doenças decorrentes da exposição a radiações ionizantes leucemia, infertilidade masculina, sarcoma ósseo, fibrose pulmonar, tumores malignos da pele. Estes últimos manifestam-se geralmente entre 10- 30 anos após a exposição ocupacional. PREVENÇÃO DAS DOENÇAS OCUPACIONAIS A legislação Angolana, estabelece a obrigatoriedade de todas as empresas, independentemente da sua actividade ou dimensão, implementarem os serviços de Saúde Ocupacional (Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho). Estes serviços visama identificação, avaliação e controlodo riscoprofissional, assegurando o risco em níveis aceitáveis (ALARA) e, tendencialmente, tão baixos quanto razoavelmente atingível. Ametodologia geral de diagnóstico e prevenção das Doenças Ocupacionais baseia-se essencialmente em três etapas: 1) diagnóstico das situações de risco e a avaliação ou priorização do risco; 2) selecção dos indicadores biológicos de exposição pela Medicina do trabalho e 3) planeamento, programação e implementação das medidas preventivas. O diagnóstico correto das situações de risco nos locais de trabalho,éumprocessoquerequerumaabordagemsistemática integrada e multidisciplinar incluindo a participação do trabalhador e envolve quatro etapas: i) a identificação do fator de risco e dos trabalhadores expostos; ii) a caraterização da exposição (avaliação ambiental e ou individual quando possível); iii) a identificação do tipo, intensidade e tempo de exposição e por último; iv) a caracterização dos efeitos decorrentes dessa exposição para a saúde do trabalhador considerando as suas características individuais. No âmbito da Saúde ocupacional, a Higiene e a Medicina do Trabalho, devem participar activamente em todo processo, em conjunto com outras disciplinas, tais como a Segurança, ErgonomiaeaPsicologiadoTrabalho. Destacam-seneste texto as principais responsabilidades da Higiene e da Medicina do Trabalho para a prevenção das Doenças Ocupacionais. O papel do Higienista do Trabalho é fundamental para a identificação do factor de risco, caraterização da exposição e quantificação dos factores de risco mensuráveis, que são os que 1) possuem valores limites de exposição (VLE), como por exemplo o ruído e as radiações ionizantes e 2) possuemvalores de referência de exposição, reconhecidos internacionalmente pela comunidade científica como por exemplo os níveis de iluminação e a temperatura. A avaliação ambiental permite a caracterização da exposição e quantificação do factor de risco num determinado ambiente de trabalho, nomeadamente a fonte, o tipo e intensidade de exposição existentes, a sua variação no tempo, duração total da exposição, número de trabalhadores expostos e os grupos homogéneos de exposição. Os resultados dos níveis de exposição existentes devem ser comparados com os limites de exposição estabelecidos em normas e legislação Nacional e Internacional e sempre que estes existam, tendo em atenção os limites para grupos específicos de trabalhadores (grávidas, doentes crónicos, etc.). Essas normas são expressas em termos de níveis admissíveis e de limites de exposição, que são os valores máximos permitidos para a exposição sem causar danos à saúde. Existem limites de exposição para a maioria das substâncias químicas comumente encontradas no local de trabalho. Existem também limites para a exposição média ponderada no tempo e limites de exposição a curto prazo. A exposição
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