Magazine Risco Zero nº27
magazine risco zero será considerada excessiva se se aproximar ou exceder os limites estabelecidos. Com base nestes resultados e fundamentados no conhecimento científico existente sobre a dose de exposição e os efeitos para a saúde dos trabalhadores, é possível conhecer, para cada factor de risco identificado, a relação dose-efeito (gravidade do efeito em função da intensidade da exposição) e a relação dose-resposta (dada pelo percentual de trabalhadores afetados pela exposição). Nesta etapa, o Higienista do Trabalho, procede então a selecção dos indicadores de exposição externos mais adequados e determinam-se os níveis de exposição abaixo do qual não se observa nenhum efeito adverso para a saúde do trabalhador (NOAEL). São exemplos a Dose máxima de radiação permitida aos profissionais de Raio X (Maximum Permissible Dose), para impedir a ocorrência de efeitos determinísticos (ex. catarata, esterilidade) e minimizar a probabilidade de ocorrência dos efeitos estocásticos (ex. neoplasias). Deve-se frisar que o resultado da avaliação ambiental é essencial para o Médico do Trabalho fundamentar o tipo e periodicidade do protocolo de vigilância da saúde e também para definir os indicadores biológicos para o rastreio e monitoria da exposição ocupacional. A selecção dos indicadores biológicos de exposição, para a monitorização biológica da exposição entendida como sendo o “exame de materiais biológicos dos trabalhadores para a determinação quantitativa de substâncias perigosas, seus metabólitos ou seus parâmetros bioquímicos e/ou biológicos”, é de responsabilidade do Médico do Trabalho. As amostras biológicas comumente utilizadas em Saúde ocupacional são a urina, sangue e, ocasionalmente, ar exalado. O uso dos indicadores biológicos pela Medicina do Trabalho, contribui para a melhoria do processo de diagnóstico e gestão do risco profissional. Os indicadores de dose interna permitem identificar os trabalhadores expostos ao fator de risco ou o (s) metabolito (s) na urina, no sangue ou noutros meios biológicos (como por exemplo no ar expirado), avaliando a quantidade ou dose absorvida independentemente da via de absorção. Os indicadores de efeito permitem detetar efeitos precoces, se possível ainda reversíveis causados pela exposição do trabalhador aos factores de risco, enquanto, os indicadores de suscetibilidade avaliam a capacidade de resposta dos trabalhadores a um determinado factor de risco. Esta informação fornece fortes evidências indiretas da presença do produto químico no local de trabalho, sendo também complementar à avaliação ambiental no local de trabalho, uma vez que a monitorização do ar por si só pode subestimar seriamente a absorção total de determinadas substâncias químicas. Além disso, a monitorização biológica pode ser utilizada para a avaliação dos riscos de produtos químicos. A Caracterização do risco é a última fase no diagnóstico das situações de risco, na qual, a partir das informações obtidas nos pontos anteriores, efectua-se a valorização do risco profissional, com base no cruzamento da informação relativa à “probabilidade de ocorrência” e à “gravidade do dano”, visando comparar a magnitude do risco com padrões de referência e definir a sua aceitabilidade ou não. Tendo em conta os resultados encontrados, são definidas as medidas de intervenção adequadas à situação concreta de exposição profissional. Estas devem considerar os princípios gerais de prevenção e assegurar a vigilância ambiental, a vigilância da saúde, comunicação de riscos, sensibilização, formação e informação dos trabalhadores. Em termos de hierarquização das medidas de intervenção, têm primazia as medidas de eliminação do factor de risco, seguidas pela substituição do factor de risco, depois pelas medidas hardware/engenharia (isolamento do factor de risco), medidas administrativas (organização do trabalho), e finalmente pelos EPI (barreira indivíduo / factor de risco). A Vigilância ambiental, deve ser realizada como processo de avaliação dos factores de risco no local de trabalho, em pelo menos quatro situações: desconhecimento dos níveis de exposição, introdução de alterações tecnológicas, antes e após a introdução de medidas correctivas, ou em caso de acidente ou doença ligada ao trabalho. A vigilância da saúde do trabalhador, da responsabilidade técnica do médico do trabalho, deve ser concretizada em função dos factores de riscos a que o trabalhador “estiver potencialmente exposto no local de trabalho”. Como já referido, todos os trabalhadores estão expostos aos factores de risco profissional pelo que há a necessidade de garantir um programa de vigilância da saúde rigoroso e com alguma especificidade. Os exames de saúde devem ser efetuados não apenas para avaliar a aptidão do trabalhador para o exercício da atividade de trabalho, mas também para avaliar a repercussão desta e das condições em que é prestada na saúde do mesmo. Assim os exames de saúde permitem avaliar e decidir quanto à aptidão para o trabalho e estabelecer as medidas preventivas e de aconselhamento aos trabalhadores para eliminar ou minimizar os riscos profissionais. Para o efeito deve ser selecionado o exame de saúde mais adequado
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