Magazine Risco Zero nº27

magazine risco zero Porém, a probabilidade de o trabalhador desenvolver uma Doença Ocupacional, como resultado de uma exposição a um ou vários fatores de risco presentes no ambiente de trabalho, depende de diversos fatores tais como: • Das características do fator de risco e da “quantidade” em que este está presente no ambiente de trabalho; • Da capacidade de penetração e interação do fator de risco com o organismo humano; • Do tempo e frequência a que o trabalhador está exposto; • Da intensidade de exposição; • Das características individuais do trabalhador (ex. género, idade, estado de saúde incluindo estado imunológico e estilos de vida). Podemos assim compreender que a prevenção de Doenças Ocupacionais requer o conhecimento das situações de trabalho real, para identificar e gerir a exposição dos trabalhadores aos fatores de risco existentes, bem como a monitorização dos efeitos dessas exposições na saúde dos trabalhadores. Dessa forma, a Higiene do Trabalho e a Medicina do trabalho, obrigatórias por lei no âmbito da Saúde Ocupacional, revestem-se de igual importância para trabalhadores e empresas, para aumentar a prevenção e a proteção contra as Doenças Ocupacionais. A Higiene do Trabalho, também chamada de Higiene Ocupacional ou Higiene Industrial, é a ciência que visa identificar, avaliar e controlar os fatores de risco do ambiente de trabalho, para prevenir doenças ocupacionais nos trabalhadores, tendo em vista também o possível impacto nas comunidades vizinhas e no meio ambiente em geral. Já a Medicina do Trabalho é a área médica que se dedica a vigilância da saúde dos trabalhadores, visando a prevenção, detecção precoce e monitorização dos efeitos na saúde associados às exposições aos factores de risco profissional no ambiente de trabalho. AS DOENÇAS OCUPACIONAIS Segundo a OrganizaçãoMundial da saúde (OMS), as Doenças Ocupacionais são doenças que ocorrem em decorrência da exposição aos fatores de risco presentes nas atividades laborais. Incluem as doenças relacionadas ao trabalho e as doenças profissionais. As doenças relacionadas ao trabalho, são doenças que têm múltiplas causas, sendo que os fatores de risco presentes no ambiente de trabalho podem atuar, juntamente com outros fatores, no desenvolvimento ou agravamento dessas doenças. Já a doença profissional é a patologia que é contraída pelo trabalhador na sequência de uma exposição a um ou mais factores de risco existentes na sua atividade profissional, no seu local de trabalho ou decorrente das técnicas usadas durante o seu trabalho. Por outras palavras, a exposição aos factores de risco profissional constituem condição sine qua non para a génese de uma doença que esteja reconhecida no índice codificado das doenças profissionais. Caso não conste da lista, também pode ser considerada doença profissional desde que se prove ser consequência necessária e direta da atividade exercida e não represente normal desgaste do organismo. Estas doenças conferem direito a reparação específica, por serem consequência direta do trabalho, conforme o regime jurídico de acidentes de trabalho e doenças profissionais. É essencial reconhecer que o diagnóstico de Doença Ocupacional raramente pode ser estabelecido apenas com critérios clínicos. A relação causal deve ser fundamentada na informaçãoclínicae/oupatológica,antecedentesocupacionais e na análise do trabalho real. Regra geral, os sintomas não são suficientemente característicos para permitir o diagnóstico de uma doença profissional sem o conhecimento da exposição do trabalhador aos factores de risco profissional associados a actividade desenvolvida. Destacam-se a seguir, alguns exemplos, onde comprovadamente a prática de uma determinada atividade profissional está relacionada com a ocorrência de uma Doença Ocupacional. A exposição ocupacional prolongada ao calor extremo, característica de locais de trabalho tais como fundições, usinas, fábricas de vidro, indústrias de papel, olarias, indústrias metalúrgicas, siderúrgicas, está associada à distúrbios neurológicos, problemas cardiovasculares e ao golpe de calor e choque que podem levar à morte. Em casos leves de hipertermia, o trabalhador pode apresentar fadiga por calor, cãibras e síncopes/ lipotimias. Como resultado do contacto com superfícies quentes, vapor ou fogo, pode também apresentar queimaduras e erupções cutâneas localizadas. A exposição ao ruido, entendido como um som indesejável e incómodo, quando intensa ou por períodos prolongados, é responsável pela surdez profissional também chamada de hipoacusia de perceção, considerada doença profissional. A exposição ao ruido pode igualmente causar efeitos extra auditivos tais como stress, depressão, irritabilidade, alterações do sono, taquicardia e aumento da tensão arterial, com efeito directo na redução da produtividade e maior ocorrência de acidentes de trabalho. A exposição à iluminação deficiente ou excessiva, bem como a reflexos, brilhos e encadeamentos ou o longo tempo de trabalho ao computador, o uso prolongado de microscópios óticos ou eletrónicos, o trabalho em salas escuras ou

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