Magazine Risco Zero nº27
ARTIGO PROFISSIONAL magazine risco zero Dr. A. Costa Tavares SEGURANÇA, HIGIENE E SAÚDE NO TRABALHO – IMPORTÂNCIA GESTIONÁRIA NAS ORGANIZAÇÕES As pessoas enquanto trabalhadoras passam mais de um terço das suas vidas ligadas ao trabalho, ou de forma direta (presencial) ou em regime de teletrabalho (denominado trabalho híbrido em setores que o permitam efetuar) ou ainda, indiretamente exercendo as suas funções muito para além da jornada diária de trabalho. Na maioria das vezes já em casa (aqui também dependendo de determinadas profissões que permitam realizar esse trabalho no domicílio. Como vemos, podemos afirmar que hoje o trabalhador está umbilicalmente, por várias razões (económicas, sociais, pessoais, entre outras) ligado ao mundo laboral. Nesta fase pós-pandémica, (em que a declaração da OrganizaçãoMundial de Saúde define saúde como "umestado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doenças ou enfermidades") deparamo-nos cada vez mais com o aumento exponencial de riscos psicossociais que têm vindo a resultar em quadros sintomáticos de stress, relacionado com o trabalho. Problemas de saúde, tais como a ambiguidade de papeis, a falta de participação e envolvimento dos trabalhadores nos processos de decisão aos mais variados níveis, acomunicaçãopoucotranslúcidaepromotoradeboatos e conflitualidade, a ausência de apoios psicossociais para não falar no burnout e na carga de trabalho também subsistem. Nomeadamente, no excesso de solicitações sobre aqueles que correspondem funcionalmente e que dão resposta imediata às exigências do trabalho, que contrariamente deveriam ser mais poupados e até reconhecidos. E ainda, as novas formas de assédio moral, psicológico e discriminatórios em função da raça, das convicções religiosas, culturais e ideológicas. Acresce a esta realidade da saúde mental e dos novos riscos psicossociais, fruto do que atrás referimos e das alterações gestionárias dos novos paradigmas, à questão da sinistralidade ainda muito incisiva no mundo do trabalho. Senão vejamos: De acordo com as estatísticas da Organização Internacional do Trabalho (OIT) (dados de 2020), a cada 15 segundos, morre no mundo, um/a trabalhador/a em virtude de um acidente de trabalho ou de doença relacionada com a sua atividade profissional. Porquê então a necessidade de se promover um serviço ou uma política interna de prevenção de riscos profissionais e de implementação da segurança, higiene e saúde no trabalho (SHST)? Por muitas razões entre as quais destacamos as seguintes: • A SHST é um investimento e não um custo (o retorno deste investimento chega a ser 4 vezes superior ao investimento inicial); • A SHST abrange os trabalhadores de uma organização, desde o topo à base da hierarquia; • A SHST é um critério de qualidade; • A SHST assume-se como uma dimensão social das organizações; • O trabalho deve ser prestado com base na dignificação das condições físicas, fisiológicas, psicológicas e mentais dos trabalhadores; • A qualidade de vida também deve existir no interior das organizações. Um trabalhador feliz tenderá a ser um trabalhador motivado e por sua vez mais envolvido com a organização e mais produtivo; • Prevenir acidentes e doenças profissionais é promover a vida, o nosso bem mais precioso. O trabalho sem SHST acarreta a curto e médio prazo: • Danos para a saúde do trabalhador e dos que o rodeiam, bem como de todos os que exercem atividade naquele local (pode conduzir à MORTE do trabalhador); • Danos materiais, patrimoniais e económicos; • Falhas na qualidade dos bens produzidos ou do trabalho desempenhado;
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