Magazine Risco Zero nº23
/53 magazine risco zero movimentações dos trabalhadores ou mesmo na actividade desenvolvida caso a sua função seja de motorista? Mas atenção, por de trás de um determinado veiculo está sempre um motorista e estes são responsáveis por eles próprios e pelos outros na estrada, devendo cumprir com os códigos de estrada e regulamentos rodoviários existentes, devendo zelar pela sua segurança e saúde e pelas das outras pessoas que possam ser afectadas pelas suas acções a quando da condução. Quando iniciamos uma dada actividade e dizemos, temos de fazer a avaliação de risco pois esta é uma actividade de alto risco, esquecemo-nos que a condução, a circulação de viaturas também é uma actividade de alto risco, principalmente em África, nomedamente em Angola onde nos encontramos. Conduzir é uma das actividades de risco mais elevado que os trabalhadores estão sujeitos e as mortes derivadas aos acidentes de viação são maiores em África que e qualquer outra parte do mundo (de acordo com a OMS). Como vimos anteriormente muitas são as causas que dão origem aos acidentes de viação, e anualmente a nivel mundial 1,3 milhões de pessoas morrem como resultado deste tipo de acidentes, sendo que a maior parte ( 93% - fonte OMS) ocorre em paises subdesenvolvidos, e cujo parque automóvel é relativamente inferior ao dos países desenvolvidos. Isso essencialmente deve-se a quê então? Quais são as principais causas para podermos actuar? Onde estão os factores de risco? Comecemos pela insegurança da infraestrutura rodoviária, nomeadamente a qualidade das vias de circulação, que não depende das organizações mas sim das entidades governamentais em proporcionar à população vias de circulação em bom estado e adequadas a movimentação de veiculos e pedestres de forma a adaptar-se a todos os usuários das vias. Temos a aplicabilidade das leis e regulamentos de viação. Se fossem colocados em prática, nomedamente o uso obrigatório do cinto de segurança, o uso do capacete nos motociclos, cumprimento dos limites de velocidade dentro e fora das localidades, a condução sobre efeito de drogas e álcool, provavelmente a taxa de mortalidade seria inferior. Mas temos aqui tambem uma outra lacuna, que existe em legislação, mas que ainda nao se encontra em prática que é a inspecção do parque automóvel. Temos muitas viaturas a circular em muito mau estado de conservação, sem espelhos, sem luzes, com eixos e direcções desalinhados, com pneus de diferentes dimensões e modelos. Vou dar um exmplo real, numa entidade inspectora automóvel uma senhora apareceu com 4 pneus diferentes na viatura. Como é obvio essa viatura não poderia ser certificada e a senhora ficou muito indignada, pois o carro tinha os pneus todos e andava bem segundo ela. A certa altura de forma a explicar à senhora a importância dos pneus serem todos iguais, perguntamos-lhe se ela saía àrua com sapatos diferentes, um de salto alto outro de salto raso, ou uma sabrina e uma havaiana, ao que ela prontamente respondeu, “Claro que não, isso é completamnete absurdo” e a qual nós respondemos, que era precisamente a mesma coisa ela sair à rua com o carro com 4 “sapatos” diferentes. Ela finalmente percebeu o que queriamos dizer, rectificou a situação e ainda agradeceu por sermos tão explicitos. Ora quando marcamos a nossa posição com algo que efectivamente chama atenção se calhar conseguimos obter algum resultado, não acham? Mas para isto é preciso termos tempo, paciência e estarmos engajados com a segurança. Como é que nós organizações podemos actuar nestes grandes factores de risco como medida de prevenção? Apoiando os diversos sectores governamentais envolvidos, nomeadamente policia, transportes, saúde, educação através de acções de sensibilização, através da consciensialização dos nossos trabalhadores, através de uma participação activa na comunidade onde estamos inseridos nas diversas formas de prevenção rodoviária promovidas localmente. Como é que as organizações podem fazer a Prevenção Rodoviáia no trabalho e actuar sobre este tipo de risco? Começando pela contratação de pessoas qualificadas para condução, com licenças de condução válidas e promovendo os cursos de condução defensiva com teórica e prática antes de iniciar a actividade. Promovendo a sensibilização com acções de formação, com conversas de segurança com os condutores, passageiros, pedestres, no sentido de também cumprirem com a sua parte na segurança rodoviária, nomeadamente a colocação do cinto de segurança antes de iniciar o trajecto, a verificação do estado do condutor (se se encontra em estado para conduzir) e verificar na generalidade do estado da viatura antes de entrar dentro dela. Na empresa onde me encontro temos por hábito fazer uma boa prática todos os dias antes de iniciar a condução, relembrando todos os itens de segurança fazendo “2 minutos para minha segurança na condução” . Nunca se esqueçam, segurança em primeiro lugar. E tendo em conta este lema, uma outra preocupação que as organizações devem ter é o estado das viaturas, manutenção e inspecção regular, bem como certificar-se de que o veiculo é adequado para a finalidade que é usado. Vemos por aí muita carrinha de caixa aberta de acartar areia, a transportar pessoas, tipo serviço de taxi, o que é extremamente inadequado e inseguro, como tambémagora vemos os camiões de transporte de alimentos com “guardas” em cima para salvaguarda da carga, sim porque o que é importante é a carga não a vida do colaborador que lá vai em cima de arma em punho. Nestes casos nem as organizações nem as autoridades fazem nada, fechando os olhos a estas situações de insegurança. Onde está a avaliação de risco aqui? será que não existe outra forma de o fazer? Quanto ao estado do veiculo é da responsabilidade das organizações garantir as condições de trabalho ao trabalhador, assim como é da responsabilidade do trabalhador manter a propriedade da empresa em bom estado de conservação. A supervisão é extremamente importante nestas situações, bem como as inspecções periódicas às viaturas e aos condutores, reavaliando licenças de condução e as formações periódicas na condução defensiva. Como medida de prevenção e controlo durante a condução deve ser utilizada a possibilidade de colocação nas viaturas de sistemas e tecnologias de georreferenciação por GPS no sentido de avaliar as velocidades atingidas, tempos de paragem, percursos percorridos e rotas alternativas sendo que o objetivo não é o de espiar os condutores mas sim analisar percursos utilizados, tipos de consumo e de condução e implementar medidas de segurança, principalmente em condução de longos percursos. O cansaço é um grande factor de risco para a segurança rodoviária, sendo que a fadiga e a sonolência estão por base em muitos acidentes de viação. O respeito dos tempos de repouso é extremamente importante para o sucesso da actividade e a probabilidade de serem actores e vitimas de sinstralidade rodoviária torna-se menor. O tempo máximo de condução diária é normalmente de 9 horas, com possibilidade de, não mais de duas vezes por semana, poder ser alargado até um máximo de 10 horas, sendo que as amplitudes máximas continuam a ter que ser respeitadas com as regras de repouso diário e como os períodos de pausa de 45, ou 15 + 30 minutos . O ideal seria que todos os condutores tivessem a consciência de saber parar quando não estão bem. A condução sobre efeito de fadiga, na maioria das vezes associada ao stress provocado pela necessidade de conciliar a vida profissional com a pessoal, torna-se um factor de risco bastante grave e é um desafio para as organizações na prevenção rodoviária. Hodiernamente na maioria dos casos o factor humano é uma das principais causas dos acidentes rodoviarios. As organizações devem focar-se sobre os comportamentos de risco na condução, principalmente sobre as condutas que têm elevada prevalência e maior impacto na sinistralidade rodoviária, no sentido de aumentar a prevenção nesta área. Hoje em dia para além do alcool, drogas e velocidades excessivas, temos tambem o uso do telemóvel enquanto dirigimos, umcomportamentode riscoextremamente elevado, um problema sério e crescente que ameaça constantemente a segurança rodoviária. Como é que alguém se lembra de escrever uma mensagem enquanto conduz? E eu já vi isso acontecer. Várias vezes. Incrivel não é? Olhas para o lado e outro condutor esta a escrever uma SMS. Se apertas a buzina, ele apanha um susto tão grande que mexe o volante a toa e bate no teu carro, num peão... Estou a fazer um filme, sim, mas isso acontece. E isso é uma irresponsabilidade total. Como vão as organizações combater uma situação destas? O uso do telemóvel faz com que o condutor tire os olhos da estrada, as mãos do volante e a mente fora do que está a fazer, está ultima, considerada como distracção cognitiva, que aparentemente é a que apresenta maior impacto sobre o comportamento na condução, por isso é que quando falamos em que usamos o telemóvel em alta voz, ou directamente conectado à viatura o risco não diminui, porque a desconcentração na condução esta lá. Os tempos de reacção são mais longos, as distâncias encurtam-se e o acidente acontece. Como prevenimos uma situação destas? Ter implementada na empresa uma politica de condução segura, onde esteja bem explicita a proibição do uso do telemovel é extremamente importante. A sensibilização dos trabalhadores através de conversas de segurança e a sua responsabilização por acidentes de viação causados pelo uso do telemovel enquanto conduzem é outra forma de prevenção. O telemóvel deve estar no silêncio quando iniciamos a condução para evitar distracções.
Made with FlippingBook
RkJQdWJsaXNoZXIy MjA1NDA=