Magazine Risco Zero nº23

/51 magazine risco zero Engª. Carla Guerreiro ARTIGO PROFISSIONAL PREVENÇÃO RODOVIÁRIA NO TRABALHO Todos os anos morrem em Angola milhares de pessoas vitimas da sinistralidade rodoviária, sendo esta estatística apenas ultrapassada pelas doenças endémicas no país (nomeadamente Malária). Numa semana chegamos a ter mais de 70 mortos e mais de 300 feridos a nível nacional, números que apesar de todos os esforços promovidos pelas forças de autoridade, nomeadamente com campanhas de segurança e de vigilância rodoviária ainda não foi possível melhorar esta situação. Os acidentes de viação, para além de serem a segunda causa de morte em Angola, têm tambem consequências bastante graves, uma vez que as incapacidades resultantes destes acidentes nomeadamente incapacidade total, incapacidade parcial para o trabalho quebram em muito a actvidade laboral, influenciando o bem estar e a rotina das organizações, para além de que a incapacidade provisória para trabalho contabiliza números de dias perdidos bastante consideráveis nas estatisticas laborais, sendo que os números de danos de propridade são ainda abismais. Como acidentes com viaturas temos também os atropelamentos, que afetam bastante as nossas organizações. Muitos dos nossos trabalhadores andam de transportes públicos e a pé, atravessando ruas sem passadeiras ou travessias superiores e muitas das vezes onde existem, atravessam na estrada para encurtar caminho e tempo e em vez de chegar mais rápido ao outro lado chegam mais depressa ao paraíso. Costuma-se dizer “mais vale perder um minuto na vida que a vida numminuto”, mas isso ainda é uma utopia. As causas para esta sinistralidade são várias e vão desde o incumprimento para com as regras de trânsito, condutores não habilitados para conduzir, condução sobre efeito de álcool, vias de circulação não apropriadas e danificadas, viaturas em mau estado para circulação, horas de trabalho continuas a conduzir, falta de consciencialização de condutores, passageiros e pedestres. A legislação rodoviária existe, resta agora fazer cumprir. A legislação laboral também existe e deve ser aplicada às actividades de condução, sendo que todos os empregadores e trabalhadores seja como condutores, passageiros ou pedestres devem gerir os riscos rodoviários da mesma forma que gerem os outros riscos de higiene segurança e saúde no trabalho. O sistema de segurança e saúde ocupacional, bem como todos os principios inerentes à gestão do risco das actividades estão bem estabelecidos a nivel regulamentar, devendo ser aplicados por todas as entidades laborais. Não há que dar a desculpa, não fazer porque não existe legislação, ou porque a nossa empresa é muito pequena e não vale a pena. Todas as vidas valem a pena. Não importa a dimensão da organização, todas as entidades patronais devem avaliar os riscos inerentes à actividade não esquecendo nunca os rodoviários de forma a tomar medidas de prevenção no sentido de proteger os seus trabalhadores, por sua vez os trabalhadores devem ter conhecimento desses riscos e darem cumprimento às medidas de prevenção adoptadas pela organização. A gestão eficaz dos riscos trás para as organizações grandes beneficios financeiros, de segurança e de qualidade de vida, principalmente quando falamos de riscos rodoviários, cujas consequências podem ser devastadoras tanto a nivel emocional como financeiras para uma dada organização. Um acidente seja ele de que natureza for acarreta também muita investigação, papelada, tempo perdido e reprogramação da actividade, todos estes factores juntos dão origem a uma grande quebra nas organizações e impactam o bem estar psicológico, social e organizacional dos funcionários sendo muitas vezes crucial para as pequenas organizações onde a ausência de pessoas chave pode ser devastadora. Mas atenção, que para alem das entidades laborais, as governamentais também têm um peso bastante importante nesta prevenção. Tambem eles têm um papel muito importante e ponderante na aplicação das medidas de prevenção da segurança rodoviária principalmente através do aprimoramento e reforço da participação das autoridades na vigilância da segurança rodoviária. Muitas são as viaturas que circulam no dia a dia nas nossas estradas que se encontram em trabalho, desde os taxis, carros ou carrinhas privadas de transporte de pessoal, viaturas da empresa, autocarros, ambulâncias, camiões de transporte de mercadoria, moto taxis, motos a serviço de empresas, bicicletas, máquinas agricolas, máquinas de construção civil, carros bombeiros, carros policia, poderemos continuar aqui numa descrição contínua, que ainda teriamos muito que descrever, todos eles a circular nas nossas estradas em trabalho. Gerir todo este movimento não é fácil e se regras e estratégias não são estabelecidas, então os acidentes acontecem. Mas a legislação rodoviária, Código da estrada já estabelecem padrões comportamentais que devem ser seguidos por todos nós. Então porque existem tantos acidentes? Porque o incumprimento é tão grande? Será derivado a permissividade das entidades governamentais? Das entidades laborais? Será que todas as organizações fazem a avaliação de risco de forma adequada e completa incluindo risco rodoviário nas

RkJQdWJsaXNoZXIy MjA1NDA=