Magazine Risco Zero nº23

/13 magazine risco zero Quais os principais desafios que o país deve ultrapassar para melhorar os indicadores da sinistralidade laboral relacionada ao transporte no local de trabalho? Penso que o grande desafio ainda se prende com o deficitário processo para atribuição da licença de condução, e a falta de formação e instrução adequada para quem exerce a actividade de condução. Deve haver um maior rigor na atribuição da licença de condução, bem como medidas e consequências mais apertadas para os que violam o código de estrada, com a retirada da carta de condução em situações de irregularidades. Um factor, por exemplo, relacionada a atribuição da licença de condução, prende-se com a aptidão médica para a condução. É imperioso haver um maior rigor nos atestados médicos para a condução, aferindo escrupulosamente a aptidão física, mental e psicológica de quem pretende exercer essa actividade e nisso, as ciências da medicina e da psicologia do trânsito são um contributo fundamental. Porque se continua a atribuir atestados médicos, sem qualquer avaliação médica para a condução? Porque não se cria uma Instituição de Psicologia e Medicina do Trânsito, focada nos exames médicos (físicos, mentais e psicológicos), para quem se quer habilitar ao exercício da condução? As doenças crónicas, os débitos e os distúrbios de sono, o estilo de vida e hábitos não saudáveis, como o uso de droga ou abuso de bebidas alcoólicas, a baixa acuidade visual e auditiva, a fraca força muscular, são alguns dos muitos exemplos de patologias que quando não diagnosticadas e geridas convenientemente, potenciam seguramente o alto índice de sinistralidade rodoviária. Não menos importante, é o tema da inspecção e manutenção das viaturas que circulam na via pública, pois muitas delas já não oferecem qualquer condição de segurança para circular, potenciando exponencialmente o risco de sinistralidade rodoviária. Por último, é a condição das vias públicas, considerando o seu estado de conservação e manutenção, a iluminação e a sinalização adequada, bem como mecanismos e tecnologia para supervisão constante, alerta de perigos e pronto socorro pós-acidente.

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