Magazine Risco Zero nº22

A SAÚDE DOS TRABALHADORES E A PRODUTIVIDADE: DUAS FACES DA MESMA MOEDA! Dra. Paula Madaleno A Organização Mundial da Saúde, define Saúde, em relação ao trabalho, como sendo…”, não apenas a ausência de doença ou enfermidade; inclui também os elementos físicos e mentais que afetam a saúde que estão diretamente relacionados com a segurança e higiene no trabalho…”. A saúde dos trabalhadores, é considerada pela Organização Internacional do Trabalho , como um pré-requisito essencial para a produtividade, competitividade e o desenvolvimento econômico sustentado das famílias, empresas e dos Países. Aprodutividade no trabalho está relacionada coma capacidade de o trabalhador cumprir com qualidade as metas e objectivos definidos para um determinado período de tempo e, com os recursos utilizados para a concretização destes resultados. Por sua vez, os resultados financeiros e a eficiência de uma empresa dependem da produtividade dos seus trabalhadores e como tal, estes são considerados os principais activos de uma empresa. Aumentar a produtividade, reduzindo o absentismo, o presenteismo (trabalhar mesmo doentes, aumentando a probabilidade de erros) e ter capacidade de retenção de funcionários, no actual contexto de crise económica mundial constitui-se num desafio acrescido para os gestores das empresas. Torna-se assim, de extrema importância reconhecer que a produtividade é influenciada, entre outros aspectos, pela saúde e bem-estar do trabalhador. Tendo em conta, que os trabalhadores passam em média cerca de um terço da sua vida no local de trabalho, as condições de trabalho, políticas de organização e estruturação do trabalho são determinantes para a sua saúde e bem-estar. Ou seja, o risco profissional existe em todas as profissões e a saúde dos trabalhadores depende em parte, do tipo de fatores de risco inerentes à atividade desenvolvida e da forma como estes são diagnosticados e controlados. Dependendo da profissão e da natureza da actividade desenvolvida, os trabalhadores estão expostos á vários fatores de risco profissionais que podem ser de natureza física, psicossocial ou organizacional, relacionados com a atividade ou ergonómicos, agentes biológicos dos grupos 1,2,3 e 4 e, agentes químicos que podem ser cancerígenos, mutagénicos e tóxicos para a reprodução. Caso essa exposição não seja adequadamente gerida, pode condicionar ou determinar acidentes de trabalho, doenças (profissionais, relacionadas e ou agravadas pelo trabalho) que podem ser agudas ou crónicas, do foro físico, mental ou de ambos. Por exemplo, trabalhadores expostos a ambientes de trabalho com ruido, iluminação e ou temperaturas inadequadas apresentam níveis elevados de stress, redução da capacidade de realização das tarefas, alterações do sono, insatisfação laboral e redução da produtividade no trabalho. Quando expostos a um ambiente mal ventilado, estão propensos a maior ocorrência de doenças respiratórias tais como a gripe, pneumonias, tuberculose e sintomas da síndrome do edifício doente (cefaleias, náuseas, fadiga e dificuldade para respirar). A exposição dos trabalhadores aos fatores de risco psicossocial tais como o aumento do ritmo de trabalho, longas jornadas, pressão de tempo, repetitividade e monotonia de tarefas, relações no trabalho autoritárias e competitivas, conflitos interpessoais, isolamento social, insegurançanoempregoe falta de poder de decisão, impostas pela globalização e novas formas de organização do trabalho, foram exacerbadas no contexto da pandemia da COVID-19. Quando as exigências e a sobrecarga do trabalho ultrapassam os recursos e as capacidades mentais do trabalhador, que estão relacionados com fatores fora do trabalho e características individuais, ocorre um desequilíbrio na carga mental do trabalho e o adoecimento do trabalhador. Como consequências, o trabalhador pode apresentar ansiedade, depressão e stress, acidentes de trabalho e doenças associadas ao stress, incluindo doenças cardíacas, obesidade e lesões músculo-esqueléticas. Os riscos psicossociais e o stress relacionado com o trabalho, impactam consideravelmente na produtividade das empresas e a sua gestão constitui um desafio para os serviços de segurança e saúde do trabalho nas empresas. Podemos assim perceber que, empresas sem programa de segurança e saúde do trabalhador para a gestão adequada do risco profissional, têm uma maior chance de ter trabalhadores stressados, insatisfeitos edoentes. Elevadas taxasdeabsentismo por doença, aumento dos custos médicos, agravamento do prémio de seguro de saúde, maior rotatividade e presenteísmo (trabalhar mesmo doentes, aumentando a probabilidade de erros) são alguns dos indicadores que impactam profundamente nos resultados financeiros da empresa. Por ARTIGO DE OPINIÃO magazine risco zero

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