Magazine Risco Zero nº20
ARTIGO REVISTA SEGURANÇA COMPORTAMENTAL GESTÃO DO SISTEMA DE SEGURANÇA NO TRABALHO : PORQUE SURGE A ABORDAGEM SAFETY II Reedição de artigo cedido pela Revista Segurança Comportamental na sequência da parceria estabelecida com a Magazine Risco Zero. A abordagem Safety I baseada pela gestão de eventos que dão errado, tornou-se desadequada nas organizações atuais, mais complexas, interdependentes e de difícil decomposição. Surge a abordagem Safety II, que gere a segurança através da avaliação, investigação e análise de eventos que dão certo, no sentido de verificar como é o seu funcionamento, aceitando e gerindo a sua variabilidade no desempenho, através da capacidade de ajustes. A autora defende que há necessidade e possibilidade de um equilíbrio complementar, entre a abordagem Safety I & Safety II, que ela designa por Safety III. Este artigo é o primeiro de vários, e tem como foco a razão do surgimento da gestão de segurança baseada na abordagem “Safety II”. Na atualidade todo o sistema de segurança nomeadamente, regulador, gestores, técnicos e trabalhadores visionam a segurança como a ausência de eventos indesejáveis, de acidentes, quase-acidentes, atos inseguros, ou então, como um nível de risco aceitável. Esta visão é designada por Safety I, presume que as coisas dão errado devido a falhas ou disfunções identificáveis em componentes específicos: tecnologia, procedimentos, trabalhadores e as organizações nas quais estão inseridos. Apresento os pressupostos sobre Safety I consideráveis razoáveis, nas décadas de 70-80: 1. Os sistemas, locais e postos de trabalho podem ser planeados e mantidos corretamente. 2. Os procedimentos são abrangentes, completos e corretos. 3 . Os trabalhadores comportam-se como planeado e conforme instrução recebida. 4. Perante eventos indesejáveis, os sistemas podem decompor-se nas suas partes e assim os profissionais de segurança conseguem compreender e gerir as contingências. 5. Se o nível de segurança for perfeito, não existem resultados adversos; portanto, não há nada a medir. magazine risco zero Quadro n.º 1 – Investimento em segurança: custo vs produtividade Fonte: Construção própria (2020) baseada em Hollnagel, Wears & Braithwaite (2015).
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