Magazine Risco Zero nº20
magazine risco zero Março é o mês da consciencialização mundial para a endometriose, uma doença crónica, de origem desconhecida e sem cura. Esta patologia feminina é ainda pouco falada e conhecida, mas estima-se que afeta uma em cada dez mulheres em idade fértil. Enf. Ana Catarina Martins MARÇO , MÊS DA CONSCIENCIALIZAÇÃO DA ENDOMETRIOSE ARTIGO PROFISSIONAL Na endometriose, o endométrio (tecido que reveste o útero, e que normalmente apenas se encontra no seu interior) desen- volve-se em localização variável fora do útero, formando mas- sas de características benignas, com maior ou menor exten- são. Os ovários, as trompas de Falópio, o intestino e as áreas que rodeiam o útero são os locais mais comuns de ocorrência de endometriose. NÃO NORMALIZEM AS DORES MENSTRUAIS: A grande maioria das mulheres acha normal ter dores durante a menstruação, facto que não corresponde à verdade e que pode estar associado a alguma patologia, nomeadamente a endometriose. O facto de se normalizar, leva a uma não pro- cura de acompanhamento médico ou a uma procura tardia, fa- zendo com que o diagnóstico não seja feito de forma precoce. A dor na região inferior do abdómen é, efetivamente, o sinto- ma mais frequente da endometriose. Mas outros sintomas po- dem surgir, nomeadamente, dor durante as relações sexuais, dor ao urinar ou evacuar (quando a doença atinge o intestino ou a bexiga), hemorragias e infertilidade (tanto na incapaci- dade em engravidar como na incapacidade de levar uma gra- videz a bom termo). No entanto, há quem viva com a doença sem qualquer sintoma. Quanto mais cedo procurar acompanhamento médico, mais cedo poderá ser feito o diagnóstico. Este baseia-se essencial- mente na história clínica da paciente e nos sinais e sintomas que apresenta. Havendo critérios de suspeita da doença, o diagnóstico é corroborado através de exames complementa- res de diagnóstico, como o exame pélvico realizado em con- sulta de ginecologia, ecografia, ressonância magnética e/ou realização de biópsia do tecido endometrial através de lapa- roscopia. ENDOMETRIOSE TEM CURA? A endometriose é uma doença crónica, por isso não tem cura. A abordagem terapêutica consiste no uso de medicamentos para diminuição da dor, terapêutica hormonal e/ou cirurgia (com grande probabilidade de recorrência de sintomas). Os tratamentos existentes são, por isso, destinados a aliviar a gra- vidade dos sintomas e, assim, melhorar a qualidade de vida das mulheres com endometriose, aliviando a dor, favorecendo a possibilidade de gravidez e diminuindo as lesões endome- trióticas. CONVIVENDO COM A ENDOMETRIOSE: A endometriose pode ter um impacto significativo sobre vá- rios aspetos da vida das mulheres, nomeadamente, dificul- dades no relacionamento conjugal e familiar, diminuição de
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