Magazine Risco Zero nº18

/55 meus responsáveis e o Técnico de Saúde (Enfermeiro) foram ao nosso local de trabalho, reuniram, conversaram connosco acerca da situação, que era uma doença muito grave, que todos nós tínhamos de tomar medidas de prevenção. Referiu que todos tínhamos que colaborar para que todos nós esti- véssemos bem aqui dentro da empresa”. Quais foram as principais mudanças no dia-a-dia de tra- balho? “Muita coisa mudou. Os primeiros dias foi um pouco difícil. Usar as luvas, máscaras… exigiu mais dinamismo, mais lim- peza. Era hábito, muito antes da COVID-19, chegarmos de carro e irmos até lá ao fundo e entrar directamente para a cozinha, mas depois das recomendações dos responsáveis, eles tiveram de adoptar algumas medidas de prevenção, os carros já não podiam ir até lá e tínhamos de descer na entra- da. Chegar na portaria, desinfectar as mãos, medir a tempe- ratura e só depois íamos para cima. Os responsáveis falaram connosco também sobre o distanciamento social. Por exem- plo, numa mesa onde se sentavam 12 pessoas, passaram a sentar apenas 5 pessoas. Também no refeitório colocávamos as mesas do pequeno-almoço à noite e passamos a colocar apenas de manhã; a loiça do almoço é colocada apenas 30 minutos antes do almoço; passamos a usar o papel descar- tável, quando antes usávamos toalhas de mesa. Trabalháva- mos 13 mulheres, mas foi também definida uma estratégia de que não devíamos estar a trabalhar todas juntas no mesmo momento. Começamos a trabalhar apenas 9 mulheres por dia, 6 de manhã e 3 de tarde. Passamos também a dormir no Estaleiro.” Nunca é demais reforçar a importância do uso de correcto EPI´s, já que se assumem como barreiras primárias no controlo dos riscos biológicos. E entre colegas? “Entre nós, entendemo-nos muito bem, houve colaboração no trabalho e isso nos ajudou muito.” A COVID 19 teve algum impacto na tua vida pessoal? “Sim. A COVID-19 trouxe algum impacto na minha vida pes- soal, porque é bem verdade que quando me apercebi que a COVID-19 já estava no nosso país, isto mexeu muito com a minha vida, me trouxe muitas preocupações…” “Cheguei a ter momentos em que perdia mesmo o sono, não conseguia dormir, pensando na si- tuação… Como será? Vendo aquilo que estava a acontecer nos Estados Unidos, na Itália… pen- sava será que aqui vai ser assim? Depois dizem que África é assim e assado, vai ser pior.” “Temi mesmo pela minha vida, pelos meus familiares, pela vida dos meus colegas. Ainda piorou a minha preocupação porque tive que dobrar os cuidados de higiene em casa, por- que depois aquilo começou a gerar um tumulto, os armazéns cheios, as praças cheias... não sabemos se amanhã vai fechar, se amanhã vamos andar… então, isto trouxe mesmo um im- pacto grande na minha vida.” A promoção do espírito de equipa, sentimento de pertença e colaboração, facilita o fortalecimento das ligações entre todos os envolvidos, promovendo a partilha de experiências e a expressão de emoções. Os colaboradores estão a viver a nível pessoal, a ansiedade e preocupação que a pandemia gera. Estão também a adaptar e a reorganizar as rotinas familiares em função da nova situação. As condições de trabalho presencial ou teletrabalho não são as mesmas na maioria das funções.

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