Magazine Risco Zero nº18
magazine risco zero E o teu marido como lidou com estes impactos? “O meu marido também ajudou muito, sobretudo nas medi- das de segurança. Ajudava muito. Quando eu estava a tra- balhar e faltava alguma coisa ele ia comprar. No bairro não temos água canalizada e ele adaptou um sistema com um bidão – furou um bidão e fez uma espécie de torneira para que os meninos lavassem as mãos com água e sabão cons- tantemente para prevenir a COVID-19.” Quais foram as principais dificuldades? Como foram ul- trapassadas? “Cada dia que passava ganhávamos coragem e o medo e a preocupação passaram a diminuir um pouco. Nos habitua- mos com a ideia de manter os filhos em casa e com as medi- das de prevenção, tanto no local de trabalho, como em casa. Cuidamos sempre da nossa higiene e isso ajudou-me a ultra- passar as dificuldades.” É primordial reconhecer, valorizar e agradecer o contributo de cada um dos colaboradores, lembrando-os de que estão a fazer algo de importância e valor vital para a sociedade e, ao mesmo tempo assegurar-lhes que todos os acontecimentos têm uma finalidade e todos os obstáculos são sempre uma lição. No contexto familiar, na comunidade onde vive já par- tilhou conhecimento adquirido no local de trabalho, em termos de prevenção? “Sim, levei o conhecimento que adquiri para casa. As pes- soas mesmo ouvindo o telejornal e as recomendações não acatavam. Ainda tinha aquelas pessoas que queriam bater na porta da minha casa e quando batiam à porta eu expli- cava que estávamos em quarentena, que não posso receber visitas, nem posso ir à casa dos outros”. “Às vezes quando saía aqui do serviço via jo- vens a passar e fazia-os parar e lhes explicava que esta doença era grave, que tinha formação no meu trabalho. Dizia que ela pode entrar no organismo e se manifestar mais tarde, 15 dias ou mais. Todo o cuidado é pouco. Explicava que devemos ficar em casa com as nossas famílias.” O conhecimento é uma arma poderosa, mas só ganha poder se o partilharmos. Não o podemos guardar apenas para nós. Porque achas que é tão difícil as pessoas muda- rem comportamentos? “Eu acho que é mesmo a ignorância. Muitas vezes as pessoas só dão conta da gravidade da situação quando vêem com os seus próprios olhos o que está a acontecer. Quando vê de lon- ge o que está a acontecer, não tem a noção. Acha que é com os outros e não com eles próprios. Ali começam a ignorar. E agora tenho visto que os casos estão a aumentar. Já se está a desconfiar que podemos estar diante de uma transmissão comunitária. E eu sei que isto está a chamar mais atenção de algumas pessoas que ignoraram as medidas de prevenção. Vai-se sair do período de emergência e entrar num período de calamidade, mas não devemos estar relaxados. Devemos sempre continuar com as nossas medidas de prevenção, res- guardar… porque a caminhada ainda é longa.” “É a ignorância que faz as pessoas, muitas ve- zes, não enxergarem a verdade. Só querem en- xergar a verdade quando está diante dos seus olhos.” Como te sentiste por fazer parte do Grupo Conduril neste momento? “A Conduril tem uma Direcção muito vigilante, atenta, não se distraiu, não se calou. Colocou logo medidas de prevenção para proteger os seus colaboradores… E quando a Conduril protege os colaboradores também está a proteger as nossas famílias. Deus abençoe esta empresa e todos quando trabal- ham para o crescimento dela.” A instrução, formação e capacitação adequada e permanente dos trabalhadores faz a diferença não só no seio da sua actividade profissional, como também a transpõe, chegando assim ao seu contexto familiar, social, comunitário. A pandemia COVID-19 colocou às organizações um desafio muito exigente: o desafio de criar estratégias de adaptação, redução ou suspensão temporária da actividade, ajustando-se à realidade vigente, sem deixar de cuidar dos seus colaboradores.
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