Magazine Risco Zero nº18

magazine risco zero nível mais micro, centrado na proximidade, no concreto, no in loco, encontrando (ou construindo) sentidos e significa- dos pessoais para os eventos que vivenciamos, um a um, esperando que o somatório contribua para a emergência de um grande sentido. Não podemos adoptar os dois níveis de análise simultaneamente, mas talvez o equilíbrio se encon- tre na alternância entre o zoom out, que nos permite uma visão global e potencia o uso da humanidade sob a forma nobre de consciência, mas que acarreta muitas vezes o so- frimento e a insegurança de não encontrar respostas para as perguntas colocadas; e o zoom in, iluminando zonas mais próximas que, frequentemente, porque férteis em significa- dos, nos maximizam o sentido de esperança e confiança. É a adaptação das conceptualizações às especificidades daquele individuo. É o verdadeiro aceder ao mundo daquela pessoa. E hoje vamos conhecer o mundo da Emília… A Emília Domingos tem 43 anos de idade, é casada e mãe de 5 filhos. O seu primeiro filho tem 22 anos e o mais novo tem 10 anos. Todos vivem consigo. Trabalha na Conduril há 6 anos como cozinheira. Em 2016 entrou no Programa de Alfabetização e Acelera- ção Escolar, mal sabia ler e escrever. Em 2018 terminou o seu percurso, alcançando a escolaridade mínima obriga- tória. Por vontade própria, este ano pediu para retomar as aulas. A primeira pergunta que fizemos à Emília foi se ela se lem- brava das primeiras notícias da COVID-19, à qual ela pronta- mente respondeu: “Sim, lembro-me das primeiras notícias da COVID quando começou a passar pelo telejornal no mês de Janeiro, isto ainda só estava a acontecer na China. Quando ouvi as primeiras notícias da COVID achei que fosse uma doença normal que começou lá na China e terminaria por lá.” “Não achei que fosse uma coisa tão grande e que se tornasse naquilo que é nos dias de hoje.” Emília mostrou-se muito consciente de quais são os princi- pais sintomas, como se espalha e quais as principais medi- das de prevenção, quer pelo que vai vendo na televisão, quer por toda a formação e informação disponível no seu local de trabalho. Em algum momento tiveste receio de ficar sem trabalho? “Sim. Realmente tive receio porque o nosso país já vem a se arrastar de uma crise que já dura há 5 anos e durante estes 5 anos já há muito desemprego em Angola, visto que não tem sido fácil os empresários aguentar os seus trabalhadores, ter os salários em dia… e como se não bastasse ainda surge a COVID-19 que veio só para piorar mais ainda. Segundo aqui- lo que ouvimos nos telejornais, a COVID-19 também está a trazer crise financeira a nível mundial e isto sim me trouxe algum receio, não só a mim, mas também às minhas colegas e também a outras pessoas que trabalham em empresas pri- vadas como a nossa… realmente senti esse receio.” A supervisão eficiente e próxima, o reconhecimento das dificuldades, normalização dos anseios, a partilha de dúvidas e o incentivo dos líderes, ajuda os colaboradores a lidarem com o novo desafio. É importante manter um contacto frequente com os colaboradores, salientando a resolução positiva das dificuldades, mostrando-se disponível e colaborante no apoio necessário. Em algum momento o teu responsável foi falar contigo? Explicar o que ia acontecer? “Sim. Quando surgiram os primeiros casos em Angola os

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