Magazine Risco Zero nº18
magazine risco zero e terapêuticas. Representam risco se disseminados na comunidade e no meio ambiente, podendo se propagar de pessoa a pessoa; Classe de risco 4 (alto risco individual e para a comunidade), inclui os agentes biológicos com grande poder de transmissibilidade, em especial por via respiratória, ou de transmissão desconhecida. Ate o momento, não há nenhuma medida profilática ou terapêutica eficaz contra infecçes ocasionadas por estes. Causam doenças humanas e animais de alta gravidade, com alta capacidade de disseminação na comunidade e no meio ambiente. Esta classe inclui o vírus Ébola, vírus da varíola e mais recentemente o SARS-CoV-2. Áreas de Trabalho Com Potencial Crítico de Risco Biológico Consideram-se áreas de potencial crítico de risco biológico: as ligadas a actividades de saúde, incluindo unidades de isolamento e de autopsia; laboratórios clínicos, veterinários e de diagnóstico; trabalho em unidades de produção alimentar; serviços de contacto com animais e ou produtos de origem animal; actividade agrícola em geral; tratamento de água e saneamento do meio (lixo e esgotos); trabalho em unidades de recolha, transporte e eliminação de detritos. MEDIDAS DE CONTROLO E PROTECÇÃO A organização de Serviços de Segurança, Higiene e Saúde deve ter em conta o facto da actividade dos trabalhadores da Instituição envolver ou não o risco directo de exposição a agentes biológicos. As medidas de controlo e protecção dos trabalhadores são baseadas na avaliação dos riscos de exposição (localização da Instituição, adequação das instalações, tipo de actividade, condições técnicas de trabalho, nível de conhecimento, práticas). Quando as actividades impliquem a exposição direta a agentes biológicos do grupo 3 ou 4, a entidade empregadora deve organizar serviços internos específicos aprovados pela entidade legisladora da matéria, (necessidade de medidas de protecção individual e colectiva que impliquem laboratórios com diferentes níveis de segurança). As medidas de controlo e de protecção devem constar de Planos de Segurança/Contingência/Emergência e contemplar aspectos fundamentais como formações práticas individuais em biossegurança, e organização interna de um sistema de vigilância da saúde. Elaboração de guias de medidas de emergência em função dos riscos de exposição incluindo a possibilidade de isolamento, evacuação, medidas de higiene espacial e protecção individual. Toda esta dinâmica deverá ter em conta: a natureza e grupos dos agentes biológicos de acordo com o seu risco infeccioso; o tempo de exposição dos trabalhadores a esse agente; o nível de concentração do agente no material que se manipula; as vias de entrada no organismo; as informações técnicas existentes sobre doenças relacionadas com a natureza do trabalho; a existência de equipamento de segurança em função do tipo de atividade exercida ou de orientações da Direcção da Saúde; a adequação das estruturas para prevenção de acidentes biológicos com colocação de dispositivos e equipamentos para armazenamento, contenção, destruição e transporte de materiais perigosos. RECOMENDAÇÕES TÉCNICAS GERAIS Na redução dos riscos de exposição é igualmente importante ter em conta: a condição de saúde do próprio trabalhador (medicações anteriores ou em curso, a gravidez e o aleitamento, doenças crónicas não transmissíveis como a hipertensão e a diabetes, doenças que determinamdeficiência imunitária como o cancro, o VIH/SIDA, a drepanocitose etc.); a adopção de mecanismos de informação e sinalização dos perigos bem como de orientações básicas de procedimentos de resposta em caso de acidente (esta componente deve ser complementada com a definição de procedimentos para recolha, manipulação e tratamento de amostras de origem humana ou animal, em função da dinâmica da Instituição); adopção de medidas de protecção colectiva como a redução do número de trabalhadores expostos combinadas com medidas de proteção individual (EPI) (o uso de luvas, máscaras, batas, aventais, óculos, viseiras). Estes EPI devem ser igualmente bem manuseados pois a sua manipulação inadequada pode constituir um risco de contaminação/ infecção. Destaque também para a protecção do meio ambiente através da redução da produção de aerossóis, higienização dos espaços, controlo adequado de resíduos contaminados, limpeza das superfícies, ventilação adequada e trabalho de laboratório com uso de técnicas localizadas e de cabines de extração para a minimização dos efeitos de contaminação e disseminação dos agentes biológicos. A gestão de resíduos (recolha, armazenamento, evacuação e destruição) e medidas higiénicas que incluem a existência de instalações sanitárias e vestiários adequados, uso rotineiro de antissépticos e a interdição de comer, beber ou fumar emáreas impróprias. Outras medidas importantes complementares específicas incluem: luta antivectorial com insecticidas, uso de repelentes, redes milimétricas, quimioprofilaxia específica e vacinação. VIGILÂNCIA MÉDICA Esta componente, baseada na identificação dos factores de risco, nos agentes biológicos, no controlo das fichas de
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