Magazine Risco Zero nº16

O BEM-ESTAR NO TRABALHO E A ECONOMIA EM TRANSFORMAÇÃO Dr. Edson Maurício Horta ARTIGO DE OPINIÃO Aeconomia angolana não está apenas emcrise como se temdito commuita frequência ,elaestáapenasaviverumperíododeajustedos factoresdeproduçãoedamentalidade do capital humano bemcomo dos processos produtivos. A transformação da economia que é a nossa tese principal está a decorrer quer ao nível do pensamento económico que está influenciar a estrutura orgânica das organizações pois existe uma tendência de tornar mais horizontal por via da redução dos níveis hierárquicos no sentido de simplificar e tornar mais dinâmicas as organizações públicas. Para além da questão da horizontalização das estruturas orgânicas notamos também tendências do Estado para vender os seus activos e de terceirizar os serviços, o que permite que o mesmoestejafocadonastarefasclássicas.Aredefiniçãodopapel do Estado, além da questão da racionalidade económica, pode afectar também o bem-estar dos trabalhadores, pela mudança ao nível dos líderes, nas condições de trabalho e também nas questões inerentes às regalias. O facto de o mercado estar ligado à lógica da eficiência muitas vezes ao cortar os custos o primeiro “recurso” a ser afectado são as pessoas pois alguns entendem que o maior custo das organizações corresponde às pessoas que é uma prática contrária as teorias de gestão de pessoas pois consideram as pessoas como maior activo das organizações. Relativamente ao tema várias questões podem ser levantadas, a primeira é saber se num país com economia em transformação será possível garantir o bem-estar aos trabalhadores? Podemos responder da seguinte forma, é possível garantir bem-estar aos trabalhadores considerando a seguinte dimensão: relação trabalhador e líder, pois apesar do estresse económico que as empresas vivem e que está a afectar a estabilidade emocional dos líderes edos colaboradores, os líderes podemcriar umclima organizacional que facilite uma boa relação laboral e ajudar assim a melhorar o bem-estar no trabalho na componente da relação laboral. Entendemos que a boa relação laboral é aquela que assenta no respeito, no cumprimento dos compromissos assumidos entre as partes, no profissionalismo e na compreensão dos outros em relação aos problemas na vida profissional e familiar. Trazemos o debate em relação a preocupação da vida profissional e familiar porque é muito comum ouvir que os colaboradores têm duas vidas, uma profissional ou outra familiar, o que não é verdade, as pessoas têm uma única vida, que é dividida entre trabalho e família. As duas componentes impactam mutuamente de forma positiva ou negativa. Não conheço um profissional que não está bem do ponto de vista profissional e isso não afecta a vida familiar. Por exemplo se um trabalhador é despedido a família fica sem renda e isso afecta o trabalhador e aqueles que dependem de mesmo e se o mesmo é promovido a sua minha família terá a possibilidade de uma vida melhor em função do aumento da renda como consequência da promoção. As empresas têm que se preocupar com o bem-estar porque tem impacto na produção e o desempenho dos trabalhadores. Por exemplo, se a empresa promove prática de educação corporativa voltadas para os cuidados de saúde quer seja por via da alimentação saudável ou por vida da promoção de prática de exercícios físicos terá trabalhadores mais saudáveis o que reduz os índices de absentismos laboral porque as pessoas se deslocam menos aos hospitais permitindo estar sempre no local de trabalho a produzir. Entraremos agora na questão de fundamentação sobre o bem- estar nas organizações de forma geral, focando-se primeiro no conceitodebem-estarno trabalho.Dopontodevistapsicológico o BET – Bem-Estar no Trabalho compreende um estado mental positivo formado pela articulação de três vínculos: satisfação no trabalho, envolvimento com o trabalho (satisfação), sensação de harmonia entre suas habilidades profissionais e as exigências impostas pela actividade que realiza (envolvimento com o trabalho) e sentimentos também positivos dirigido à organização que o emprega (comportamento organizacional efectivo). magazine risco zero

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