Magazine Risco Zero nº16

/11 A realidade dos países mais desenvolvidos mostra-nos que a criação de programas sociais dentro das organiza- ções faz com que haja um aumento significativo na pro- dutividade dos trabalhadores. Acha que as nossas insti- tuições devem adoptar esses modelos para garantir o aumento da produtividade dos trabalhadores? Sim sim, eu penso que os programas sociais quando estão focados nos mais necessitados são relevantes pelo facto de atenuarem situações difíceis, quer seja para o trabalhador, se o trabalhador estiver bem, a organização também estará bem. O que se deve saber antes é perceber como irão susten- tar estes programas, porque não adianta arrancar com um programa social para morrer no dia seguinte, precisamos antes saber de onde virá a receita, como vamos garantir a manutenção desta receita, isso requer ter um instrumento regulamentar e depois um instrumento financeiro que irá nos possibilitar saber como rentabilizar os recursos prove- nientes e como manter e quais as acções sociais vão caber dentro deste programa. Todos devem estar envolvidos nes- te programa, todos devem participar, quer seja a entidade empregadora quer seja os trabalhadores. É importante este engajamento para que todos consigam ter benefícios. Como acha que as organizações em Angola devem enca- rar a qualidade de vida e bem-estar no trabalho? Devem encarar a qualidade de vida como uma componen- te estratégica, não do ponto de vista da argumentação eti- mológica e não do ponto de vista de um discurso agradá- vel para todos, deve ser de um ponto de vista prático. Do ponto de vista prático significa que nós e aqueles que de facto trabalham na qualidade de líderes perceberem sinais de esgotamento, sinais de burnout e o foco muito excessi- vo no resultado. Eu acho que a grande insuficiência está em que as organizações consigam resultados. “Nenhum sucesso justifica o fracasso na família” porque é da família que vem o trabalhador. Dentro do programa de estratégias das organi- zações elas devem ter o programa de bem-estar no trabalho. Porquê? Porque há estudos que indicam que, as empresas com foco no bem-estar são as empresas mais produtivas. É claro que o gestor vai olhar para o custo, mas não podemos só olhar para o custo, temos que olhar também para o benefí- cio. Se as pessoas são activas, isso deve ser o mais importante da organização. Pressupõe que eu devo toda atenção a estas pessoas, não do ponto de vista dos custos mas sim do práti- co e esta questão é extremamente importante. Entre o lucro e as pessoas, temos que encontrar um balancear. Olhando para a nossa realidade, ao traçar estratégias da organiza- ção vai direcionar como escolher o que fazer e não fazer. "Ummau clima laboral pode inibir o trabalhador de estar no local de trabalho e isso acaba por afectar a planificação e o cronograma de actividades, causando implicações na produtividade organizacional."

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