Magazine Risco Zero Nº 14
que mais controvérsia tem suscitado. Muito conhecido em todo o mundo agrícola, o glifosato, composto organofosforado, é o herbicida mais usado em Portugal e que mata qualquer planta para além das ervas daninhas. Descoberto inicialmente na Suíça, em 1950, por Henry Martin, não teve sucesso comercial por não lhe ter sido reconhecida a capacidade herbicida. Mais tarde, em 1969, John E Franz, na Monsanto, experimentou várias substâncias com alguma atividade herbicida até chegar ao glifosato, que foi introduzido no mercado em 1974, com a designação de Roundup. A partir de 2000, terminou a patente da Monsanto e muitas outras empresas entraramnomercado dos herbicidas, cotando- se na Europa mais de 300 herbicidas de quarenta empresas. Por outro lado, as culturas transgénicas, a partir dos anos 90, como a soja, o milho e o algodão, resistentes ao glifosato, intensificou a venda do glifosato que não atingia tais culturas. O glifosato é ativo em múltiplas plantas, inibindo uma enzima própria de que as ervas daninhas necessitam para crescer. Elas causam perdas na produção de plantas agrícolas que podem atingir 90% no caso das hortaliças. Uma certa controvérsia quanto ao impacto do glifosato na pessoa humana é alimentada por afirmações vagas e por vezes contraditórias. A Agência Internacional de Pesquisa sobre o Cancro (IARC) da OMS, referiu que o glifosato é provavelmente carcinogénico para o ser humano. A tecnologia atrasou uma fome generalizada pela produção mais rápida das culturas agrícolas. Tudo tem o seu custo, numa alternativa de prós e contras, benefícios e malefícios. Certas culturas anuais passarama bianuais e por vezesmais frequentes mediante a utilização de substâncias químicas irradicadoras de parasitas que devastavam a agricultura. O glifosato veio destruir os parasitas inimigos, mas o tempo evidenciou que nem tudo eram rosas. A investigação científica mostrouqueoglifosato interferecomoequilíbriodesubstâncias químicas no organismo humano no dito comportamento humano normal. Este progresso insere-se na Revolução Verde, ou seja, a Revolução Industrial da Alimentação a na qual para além da quantidade permitiu o abaixamento dos preços. Na opinião de Stephen Powles, professor da Universidade Oeste da Austrália o glifosato é tão importante para a produção de alimentos como a penicilina é para as infeções bacterianas (6). O que comemos e bebemos mediante transformações bioquímicas no aparelho digestivo, privilegiadamente no intestino, contribui para o desenvolvimento e estruturação da personalidade humana. Daqui a relevância da alimentação da mulher grávida, porquanto tudo o que ingere passa para o filho através do cordão umbilical e da placenta. A existência de um número significativo de abortos espontâneos e de fetos nascidos commalformações congénitas muito maior no México que em outras comunidades, motivou uma investigação científica tendente a conhecer o porquê da situação. Apurou-se que a nível da agricultura, os trabalhadores atingidos e seus familiares, lidavam com um produto químico, o glifosato. Alternativasaoglifosatotêmsidoapresentadospormovimentos de cidadãos como a Quercus e o Pan, reconhecendo a beleza artística às ervas daninhas. Contrariando o OPAQ (Convenção Internacional sobre as Armas Químicas) de 1997, apenas não assinada pela Coreia do Norte, Israel, Egito e Sudão do Sul, têm sido empregues como armas químicas, substâncias utilizadas com fins positivos na agricultura. Entre estes, o gás sarin, descoberto em 1938 por químicos da IGFaeben, na Alemanha, ao tentarem criar pesticidas mais potentes que os já existentes (7). Dois anos antes, tinha sido sintetizado o Tabun, um organofosforado que provocou alterações significativas no seu descobridor Gerhard Schrader e seu assistente, que os impossibilitou de trabalhar durante 3 semanas. Pelo elevado poder mortífero para o ser humano, passou para a guerra. A legislação portuguesa contém múltiplas palavras e expressões com significado exato para efeitos jurídicos. A lei portuguesa (Decreto-Lei nº 121/2002, de 16 de fevereiro) em conformidade com a diretiva nº 98/8/CE do Parlamento Europeu e do Conselho, de 16 de fevereiro, controla a colocação de produtos biocidas no mercado. O Regulamento CE nº 428/2009 do Conselho Europeu, de 5 de março de 2009), criou um regime comunitário de controlo das exportações, transferências, corretagem e trânsito de produtos de dupla utilização. /65
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