Magazine Risco Zero Nº 14

São múltiplos os métodos de proteção ou meios de luta, incluindo a luta legislativa, luta genética, luta cultural, luta física, luta biológica, luta biotécnica e luta química. A história ensina que é improvável que os produtos químicos sejam erradicados totalmente da agricultura. No século XX a sociedade ocidental encontrou medidas contra o abuso indiscriminado de químicos, com legislação restritiva quanto ao seu uso, o que não resultou porque não é com leis repressivas que se resolvem os problemas porque como tenho referido “quantomais se cortamas plantas mais elas florescem”. Uma luta deste tipo está condenada à derrota. Atualmente há maior uso de químicos do que no passado, sendo que cada vez há mais países, regiões ou comunidades a usar produtos químicos na agricultura. Sem informação não há conhecimento e sem conhecimento não há liberdade. Por isso, a liberdade de escolha exige uma informação o mais detalhada possível sobre os produtos químicos na agricultura. A filosofia política do emprego destes perante a realidade atingida a nível mundial fundamenta-se na redução do dano por eles provocado em face da mais rápida obtenção de colheitas. É a ética dos produtos químicos na balança dos benefícios e dos riscos, aceitando a realidade da sua existência como substâncias que afetam o corpo humano e a natureza, perante a decisão humana de as usar. A questão concentra-se, assim, no esforço coletivo para reduzir ao mínimo os efeitos adversos em cada um na pessoa, nos animais e na natureza. A essência da questão não passa exclusivamente pela proibição, mas sobretudo por métodos alternativos pelos quais o jovem agricultor possa optar, quando consciencializado dos inconvenientes das novas tecnologias. É importante sublinhar a diferença entre o uso e abuso dos produtos químicos. Se, com humildade, temos que reconhecer que não há muito a fazer contra o statuo quo dos químicos na agricultura, não é menos certo que o âmago do problema consiste na prevenção. Em vez de esforço contra os químicos, a mesma energia humana e paciência devem ser gastas para a prevenção, com vista ao futuro, tarefa que requer o empenho das comunidades, do poder local dos municípios, das freguesias e das associações de agricultores. Não basta a existência de leis governamentais. A educação passa pelo envolvimento da população na natureza, sendo certo que a juventude agrícola está a crescer num mundo muito atreito ao uso de químicos, num mundo rural em que os mais velhos usam e abusam de produtos químicos sem saber exatamente os seus benefícios e malefícios. É a argumentação de que o vizinho tambémusa comgrandes e repetidas colheitas. É que utilizar indiscriminadamente um produto químico é uma porta aberta para repetir e sucessivamente não prescindir do seu emprego. Glifosato O glifosato insere-se na filosofia alimentar humana. As pessoas precisam de comer. Em 2050, a população mundial rondará os 900 mil milhões de pessoas. Por estimativa da Organização para a Agricultura e a Alimentação (FAO) da ONU a produção agrícola deverá ser 60% superior à produção de 2005. Isto, em números, equivale a produzir nos próximos 40 anos, os alimentos produzidos nos últimos 8 mil anos. Esta preocupação foi sublinhada por Thomas Malthus em 1789, economista britânico, no contexto de que a produção de alimentos não acompanharia o aumento da população. Em ciência o conhecimento altera-se em regra em 30% de 5 em 5 anos, e a agricultura não foge à regra. O glifosato é um dos produtos químicos usados na agricultura magazine risco zero

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