Magazine Risco Zero Nº 14

endurecimento, de transporte, de revestimento, de transporte, de tratamento da farinha, de volume, amidos modificados, antiaglomerantes, antiespumas, antioxidantes, conservantes, corantes, edulcorantes, emulsionantes, espessantes, espumantes, estabilizadores, gases de embalagem, gelificantes, humidificantes, intensificadores de sabor, levedantes químicos, reguladores de acidez, sais de fusão e sequestrantes. Em princípio, admite-se que os aditivos alimentares são inofensivos, tendo em conta os milhões de pessoas que os consomem todos os dias. No entanto, não pode ignorar-se que eles podem provocar determinados sintomas assinalados em casos concretos como heperatividade, asma, eczema, urticária, insónia e cancro. Dentro da variabilidade apostada recorde-se por exemplo que o E-621 (glutamato monossódico) utilizados para temperos rápidos, massa instantânea, batatas fritas, pizzas, condimentos e produtos diet, está contraindicada em doentes bipolares, doença de Parkinson, doenças de alzheimer, epiléticos e esquizofrénicos. Embora teoricamente inofensivos nas doses aprovadas internacionalmente talvez seja preferível ingerir alimentos naturais, tendo em conta que é o fígado que tem que se confrontar com a metabolização de tais substâncias estranhas no organismo humano. Organofosforados e organoclorados Os compostos organosforados são compostos orgânicos derivados do ácido fosfórico e seus homólogos (ácido fosfórico, tiofosfórico e fosfónico). São os inseticidas mais utilizados. Para além de múltiplos acidentes têm sido empregues em casos de suicídio e homicídio (4). A era dos compostos organofosforados iniciou-se em 1936 quando Gerhard Schrader, químico alemão da AIG Tarben, ao pesquisar um inseticida com base em substâncias orgânicas e fósforo, descobriu o primeiro organofosforado, o Tabun ou GA, altamente mortal em pequenas doses, pelo que foi recomendado como arma de guerra química. Um dos compostos que Schrader descobriu foi o paratião, que chegou a ser o inseticida mais empregue na agricultura a nível mundial, tendo sido substituído por outros mais fortes, designados agentes nervosos utilizados em genocídios. Inicialmente os organofosforados usavam-se para fins militares enquanto na agricultura era oDDT (diclorodifeniltricloroetano) sintetizado por Paul Miller (prémio Nobel, 1939). Embora o DDT fosse pouco tóxico para os humanos foi abandonado pelo desequilíbrio provocado no meio ambiente. Os organofosforados passaram a ser mais utilizados como, por exemplo, o E-603, gutião ou gutazião, os quais pelo seu poder letal, têm sido usados, em casos de suicídio, homicídio e provocado acidentes. Também os carbamatos, embora causando menos danos no ambiente, são muito mais perigosos para as pessoas. O carbamato existe emmutos pesticidas de elevada toxicidade como o carbofuran (Furadan), o carbaril (Sevin), o aldicarb, o lenoxicarbe e o BPMC, cujo efeito sobre a acetilcolinesterase é reversível, provocando contrações musculares involuntárias que podem levar a convulsões ou à morte. A enzima acetilcolinesterase também pode ser inativada, mas de forma ir reversível pelos pesticidas organofosforados (5). A ação nefasta dos organofosforados no corpo humano resulta da sua intervenção na acetilcolina por inibição da enzima colinesterase que regula a quantidade conveniente daquela para o normal funcionamento de qualquer pessoa, por atuação nos sistemas nervoso e muscular. Pela intoxicação por organofosforados surge alguma sintomatologia relacionada com a sua atuação no sistema nervoso vegetativo ou autónomo, designadamente miose (pupila pequena), lacrimação, salivação, secreções brônquicas aumentadas, espasmos brônquicos, bradicardia, vómitos, diarreia, incontinência urinária e diaforese. O atingimento do sistema nervoso central provoca convulsões, agitação, sonolência, coma e morte. A intervenção na placa muscular origina tetraparesia e fasciculações. Do ponto de vista médico há tratamentos variados, sendo o exame clínico fundamental. O exame laboratorial é possível, mas sem grande utilidade porque os resultados são tardios e incompatíveis com a urgência das situações. A base dos produtos químicos na agricultura assenta em porfiada luta contra as ervas daninhas, pragas e doenças que prejudicam as colheitas. Atualmente, a questão passa por uma reflexão sobre os benefícios e os riscos. As comunidades internacionais e locais têm a responsabilidade de definir os limites. magazine risco zero

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