Magazine Risco Zero Nº 14

/53 LEGISLAÇÃO RELACIONADA Tendo em conta a legislação existente na generalidade dos países, facilmente se entende como esta atividade escapa subtilmente à ação do Técnico de Higiene e Segurança (pois a grandemaioria das empresas têmmenos que dez trabalhadores e, independentemente do número de funcionários, apesar de tudo, esta atividadeprofissional nãoestádiretamente assinalada na lista de profissões de risco elevado); escapando também ao Médico do Trabalho (através da utilização utópica do médico assistente, especialista emMedicina Geral e Familiar, não tendo este qualquer formação específica na área). PRINCIPAIS FATORES DE RISCO/ RISCOS OCUPACIONAIS ABORDADOS NA BIBLIOGRAFIA CONSULTADA Agentes químicos: Pesticidas A necessidade de aumentar a produtividade fez com que, mundialmente, se usem cada vez mais estes produtos. A sua banalização pode aumentar as resistências das pragas e, consequentemente, torna-se necessário usar doses superiores e/ ou misturas mais potentes. Estima-se que, mundialmente, as intoxicações sejam cada vez mais frequentes, correspondendo a cerca de cinco milhões de mortes por ano (englobando as exposições voluntária/ suicídio e ocupacional). O contato pode ocorrer pelas vias cutânea, respiratória ou oral (no contexto ocupacional esta última é menos frequente). Estes produtos apresentam toxicidades aguda e crónica. Em linhas gerais, a primeira carateriza-se por cefaleia, irritação ocular,mialgia(dormuscular),alteraçõesrespiratórias,diaforese (sudorese excessiva), náusea, vómito, diarreia, parestesias (alterações da sensibilidade), tremor, ataxia (desequilíbrio), epigastralgia (dor no estômago), miose (contração pupilar), taquipneia (aumento da frequência respiratória) e ptialismo (aumentoda salivação). Cercade 35%dos agricultores que lidam compesticidas refere parte desta semiologia (conjunto de sinais e sintomas). Por sua vez, a exposição crónica poderá associar- se a polineuropatia (alterações na condução neurológica), dermatite (alterações cutâneas), alterações comportamentais e até cancros, nomeadamente da próstata e linfoma não- Hodgkin; contudo, outros investigadores não encontraram tal associação e/ou justificam esta diversidade de resultados em função de diferentes suscetibilidades individuais. Acredita- se que os pesticidas induzem o stress oxidativo que, por sua vez, perturbará a normal constituição e reparação do DNA. Alguns estudos associam estes agentes também ao aumento da prevalência da asma e doenças pulmonares restritivas em agricultores, mas tal não é consensual; bem como a eventuais alterações imunológicas. De realçar que os residentes numa área geográfica até cerca de 25 kms do ponto de aplicação terão algum contato com o produto. Os principais fatores associados a uma maior toxicidade são a ausência de equipamentos de proteção individual (EPIs), clima tropical, baixo nível cultural, desconhecimento da concentração do produto, armazenamento incorreto, uso de misturas, idade mais jovem e consumo de álcool. Em contrapartida, as principais recomendações para diminuir o risco de toxicidade são a organização de formações/ programas de treino, monitorizar o consumo (individual e coletivo), restringir consumos abusivos (tal como se faz nos países mais desenvolvidos), vigilância médica dos profissionais envolvidos, EPIs adequados e disponíveis e diminuição do uso de misturas. A maioria dos agricultores que lida com pesticidas não usa EPIs ou então utiliza-os de forma bastante incompleta e/ ou esporádica, sobretudo nos países menos desenvolvidos. Para além disso, nestes países é frequente o uso de pesticidas mais tóxicos e antigos (porque são mais baratos). Estes agricultores, obviamente, tambémnemsequer se apercebemda necessidade de proteger os seus conviventes. Dentro dos EPIs há que destacar então o uso de luvas, fato, máscara, botas, avental e óculos; as roupas protetoras diminuem o contato cutâneo em 50 a 95%, em função do modelo, forma de usar e material. Além disso, a possibilidade de remover as roupas e calçado de trabalho, não as levar para casa e tomar banho/ lavar as mãos antes de sair da exploração agrícola ou, quando muito, mal chegue a casa, diminui o risco para o trabalhador e seus familiares. Os próprios veículos de transporte podem estar contaminados. A exposição costuma ser mais intensa nas estufas. Para além disso, alguns pesticidas transformam-se (já na planta) em compostos ainda mais tóxicos. Dentro dos pesticidas, o grupo mais utilizado é o dos organofosforados. Um dos doseamentos mais acessíveis para avaliar a exposição a estes é a colinesterase que, em situações positivas, está inibida. Outros investigadores também recomendamo doseamento da acetilcolinesterase. Emalgumas zonas dos EUA é habitual proceder a estas análises, por rotina,

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