Magazine Risco Zero Nº 14

/35 direção ou de chefia são ocupados por homens. Referimo- nos essencialmente nas áreas da educação, saúde e administração pública, havendo excelentes exemplos do contrário. Centremo-nos pois no setor da agricultura onde em muitos locais do planeta é a mulher que assume a sua liderança e a gestão do dia-a-dia. O mundo rural “oferece” uma panóplia generalizada de combinação de vários perigos e riscos profissionais associados: O manuseamento de tratores e máquinas agrícolas: Muitos são os riscos associados a este equipamento perigoso. O risco de capotamento, queda de pessoas e queda de materiais são os mais identificados, mas outros como contato com linhas elétricas ou de colisão na via pública também são de considerar pela segurança e saúde no trabalho. As causas podem ser diversificadas mas salientaríamos a imperícia (falta de formação/treino para a execução da tarefa) a imprudência (comportamento precipitado, aventureiro, descontrolado) e a negligência (falta de cuidado, de atenção, excesso de confiança – por exemplo velocidade excessiva), além da fadiga e outros fatores exógenos como terceiros (outros intervenientes), condições adversas climatéricas e, condições perigosas (tipologia do solo: valas, declives acentuados, travões desgastados, entre outros). Medidas de PREVENÇÃO: • Os trabalhadores devem ter sempre FORMAÇÃO e TREINO prático, quer na utilização de tratores, quer no manuseamento de máquinas agrícolas (perigo de enrolamento, de esmagamento, de projeção e potencial de corte, abrasões, queimaduras, etc.; • Os trabalhadores devem utilizar VESTUÁRIO de trabalho apropriado para o exercício da função (nãomuito largo pois pode haver enrolamentos do vestuário nas engrenagens), não muito quente (para dias onde trabalham com altas temperaturas) e vice-versa para o frio; • Os comandos devem estar identificados e visíveis à visão frontal e periférica do trabalhador; • Os trabalhadores devem usar EPIs apropriados (calçado de segurança, luvas, capacete, óculo em zonas de projeção de partículas e outros materiais); • Otrabalhadordeveterematençãoseháoutrostrabalhadores na zona que possam ser atingidos intempestivamente pela máquina; • O trabalhador deve assegurar-se se todas as proteções coletivas estão montadas; • O trabalhador não deve abastecer ou fazer qualquer tipo de reparação da máquina com o motor ligado, e deve ter em atenção se não o coloca a trabalhar dentro de espaços fechados (perigo de libertação de monóxido de carbono); • O trabalhador deve certificar-se ao fazer a manutenção, se está efetivamente num plano horizontal, devendo colocar calços nas rodas bemcomo deverá seguir os procedimentos de manutenção descritos no manual do fabricante; • O trabalhador deve manter uma distância apropriada quando está perto de material combustível (ter em atenção o posicionamento do tupo de escape – este deve estar devidamente isolado contra qualquer risco potencial de queimadura); • O trabalhador deve ter em atenção se as luzes estão todas a funcionar, os travões, se não há gordura ou óleo nos patins de acesso à cabine, se os vidros estão limpos e permitem uma boa visão, se o cinto de segurança está em perfeitas condições de operacionalidade, se existe um kit de primeiros socorros e se o extintor está devidamente carregado e válido; • O trabalhador não deve “dar boleia” a outro trabalhador salvo, nos casos em que o trator tem outro assento disponível; • O trabalhador deve ter em atenção os declives acentuados promovendo a condução lenta e em sentido contrário (marcha-atrás) evitando o risco potencial de capotamento; • O trabalhador deve sempre certificar-se se os veios de cardans têm a respetiva proteção coletiva; • O trabalhador deve no manuseamento de máquinas que provocam ruídos, informar atempadamente os moradores (no caso de trabalho em zonas residenciais) sobre o período de andamento dos trabalhos assim como, deve tentar sempre manter afastados os “mirones” que se aproximam das frentes de trabalhos, estabelecendo se necessário um perímetro de segurança; • Não esquecer que qualquer máquina tem sempre zonas perigosas pelo que, devem estar sempre protegidas; • Cabe ao empregador além da formação, informação e sensibilização acima referida, exercer uma correta supervisão de proximidade, devendo conhecer os seus colaboradores, os problemas que têm no momento, compreendendo casuisticamente cada um, procurando enquadrá-lo da melhor maneira no conjunto de colaboradores para criar um clima organizacional saudável de colaboração e entreajuda. Estamos pois a falar de gestão de recursos humanos.

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