Magazine Risco Zero Nº13
Professor Doutor António Jorge Ferreira ARTIGO PROFISSIONAL DOENÇA PULMONAR OBSTRUTIVA CRÓNICA (DPOC) DE ETIOLOGIA OCUPACIONAL O termo “Bronquite Profissional” ou “Bronquite Industrial” muito usado sobretudo no Século XX e fazendo ainda parte, historicamente do léxico pneumológico, refere-se essencialmente à presença de queixas crónicas de tosse, dispneia e expetoração abundante em trabalhadores expostos a riscos inalatórios e é um pouco mais redutora do que a denominação “DPOC de etiologia profissional” pois esta última já envolve outras características, não apenas clínicas, no seu diagnóstico e supõe, também, a presença de limitação ventilatória obstrutiva demonstrável e fenómenos de destruição parenquimatosa pulmonar tipicamente associados, nomeadamente algumas formas de enfisema (2-5). A DPOC é uma síndroma com muitos fenótipos e com uma projeção mundial em constante crescimento. Por exemplo, na Europa estima-se uma prevalência de cerca de 5 a 10% (consoante os critérios usados para o seu diagnóstico) e uma mortalidade de 18/100000 habitantes. Recentemente, o Programa BOLD (Burden of Obstructive Lung Diseases) documentou, em estudos espirométricos realizados a nível internacional, prevalência substancial da doença em nunca fumadores (3-11%), o que está provavelmente relacionado com as exposições profissionais e/ou ambientais, bem como com o envelhecimento da população (6). Em Portugal, num estudo efetuado na região de Lisboa, estimou-se uma prevalência de DPOC de 14,2%, em adultos com mais de 40 anos de idade (7). O Global Burden of Disease Study da OMS projetou que a DPOC, que ficou em sexto lugar como causa de morte em 1990, se vai tornar a terceira maior causa de morte no mundo em 2020; uma projeção mais recente estima que a DPOC será a quarta principal causa de morte em 2030 (1, 8, 9). Num estudo de Hnzido e col., que analisou 9823 indivíduos com idades entre 30-75 anos de uma amostra randomizada da população dos EUA, com base numa análise de indústrias e profissões e tendo em conta variáveis de confusão potenciais como tabagismo, idade, sexo e nível socioeconómico, foi estimado que o peso populacional geral de DPOC devida à exposição ocupacional a poeiras, gases, fumos e vapores ocupacionais, era de 19,2%; nos não-fumadores, a proporção de DPOC relacionada com o trabalho foi estimada em 31% (10). Uma revisão sistemática da American Thoracic Society em 2003, estabeleceu um risco atribuível populacional de 15% para a etiologia ocupacional da doença (11). Em 2007, numa revisão de oito estudos de base epidemiológica sobre DPOC, Blanc e Toren, referiram um risco atribuível populacional médio de 15% (0-37%) para a profissão (12). De uma forma geral, numa metanálise efetuada por Blanc em 2012, a percentagem de risco atribuível populacional rondava os 15%, contudo, em nunca fumadores estes valores A Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) é uma doença frequente, evitável e tratável e é caracterizada por uma obstrução persistente das vias aéreas, que é geralmente progressiva e está associada a uma resposta inflamatória crónica aumentada na sequência da inalação de partículas ou gases nocivos onde se podem encontrar seguramente diversos estímulos ocupacionais, não obstante a etiologia principal ser o fumo do tabaco. As exacerbações e co-morbilidades contribuem para a gravidade global da doença. A obstrução persistente resulta de uma combinação de doença difusa das pequenas vias aéreas e destruição do parênquima pulmonar (1). magazine risco zero
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