Magazine Risco Zero #36

/5 EDITORIAL Dr. Paulo Vaz Guimarães O que não se vê, não se mede… nem se controla. A exposição profissional continua a ser um dos mais complexos desafios da Segurança e Saúde no Trabalho, precisamente porque muitos dos seus efeitos actuam em silêncio, revelando-se apenas anos mais tarde. Segundo dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e da Organização Mundial da Saúde, cerca de 1,9 milhões de pessoas morrem anualmente devido a factores de risco profissional — sendo a esmagadora maioria destas vítimas fruto de doenças ligadas ao trabalho e não de accidentes. Em Angola, a Segurança e Saúde no Trabalho vive um momento decisivo de consolidação e fortalecimento. A recente adesão do país às principais convenções da OIT reforça o compromisso nacional com uma verdadeira cultura de prevenção: uma abordagem assente na identificação, avaliação e controlo rigoroso dos riscos, capaz de promover ambientes laboralmente mais seguros, saudáveis e sustentáveis. Nesta edição da MRZ, colocamos a Higiene Ocupacional no coração da prevenção. Avaliar a exposição a agentes físicos, químicos e biológicos é substituir intuições por evidência científica, capacitando as organizações para tomadas de decisão mais céleres e efectivas na protecção dos trabalhadores. Afinal, a prevenção autêntica não começa no diagnóstico da doença; começa no instante em que a exposição é conhecida, medida e dominada.

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