Magazine Risco Zero #36

magazine risco zero Enf. Áurea da Costa - NWA ARTIGO PROFISSIONAL CONCESCIALIZAÇÃO SOBRE AS HEPATITES VIRAIS A hepatite consiste na presença de inflamação das células do fígado. Pode apresentar várias etiologias associadas, nomeadamente vírus (Hepatite A, Hepatite B, Hepatite C, Hepatite D, Hepatite E), sendo a hepatite A, B e C as mais comuns e constituindo uma importante causa de mortalidade. Existem outras causas associadas a lesão do fígado como alterações do nosso sistema imune - o sistema de defesa do organismo (a chamada hepatite auto-imune), causadas pelo consumo de alguns produtos tóxicos (álcool, fármacos, produtos naturais) ou a causada pela gordura no fígado, cada vez mais prevalente numa sociedade em que a síndrome metabólica se transformou numa verdadeira pandemia. Quando esta inflamação surge recentemente falamos de hepatite aguda e os processos que duram mais de seis meses são designados hepatites crónicas. As hepatites virais são doenças transmissíveis e, portanto, potencialmente passíveis de prevenção. A transmissão dos vírus A e E ocorre através de água e alimentos contaminados, pelo que uma boa higiene alimentar e um tratamento adequado da água e dos alimentos podem ajudar a prevenir o contágio. Além disso, para o vírus da hepatite A existe uma vacina muito eficaz que já está a começar a ser incluída nos calendários de vacinação. Os vírus B, C e delta transmitem-se pelo sangue e pelas relações sexuais, embora o vírus C seja muito pouco eficaz na sua transmissão por via sexual. Os bancos de sangue analisam todas as amostras para excluir a infeção por estes vírus, pelo que o contágio se reduziu enormemente nos últimos anos. Existe uma vacinamuito eficaz e segura que previne a infeção pelo vírus B e, consequentemente, a sobre-infeção pelo vírus delta, que só ocorre em portadores do vírus B. Esta vacina já está incluída no calendário vacinal. Infelizmente, ainda não existe uma vacina que previna a infeção pelo vírus C. Quais são os sintomas da hepatite viral? A hepatite aguda pode não produzir quaisquer sintomas e passar despercebida ao doente. Noutras ocasiões, podem existir sintomas inespecíficos, como mal-estar geral, cansaço e náuseas. Além disso, em alguns casos desenvolve-se icterícia, isto é, coloração amarelada da pele e das mucosas, acompanhada de urina escura (colúria) e dejeções brancas ou amareladas (acolia). As hepatites crónicas também se caracterizam por produzirem muito poucos sintomas e, em muitas ocasiões, são diagnosticadas de forma casual ao realizar análises por outros motivos. Quando existem sintomas, os mais frequentes são cansaço, desconforto ligeiro e inespecífico no lado direito do abdómen ou perturbações ligeiras da digestão. O diagnóstico de hepatite é feito pelo médico, tendo por base a história clínica do doente, dos seus hábitos (como a ingestão de álcool, por exemplo), dos sinais e sintomas apresentados e recorrendo a alguns meios complementares de diagnóstico (MCDT). As análises ao sangue tipicamente revelam alteração das provas hepáticas, mais concretamente um aumento da aspartato aminotransferase (AST) e/ou alanina aminotranferase (ALT), uma vez que representam a presença de lesão das células hepáticas. Os valores absolutos podem ser muito variáveis e nem sempre refletem o prognóstico, sendo que alguns padrões de elevação podem fazer suspeitar mais de um diagnóstico em concreto. Odiagnóstico de hepatites víricas vai ser baseado emanálises sanguíneas específicas para os vírus, os chamados antigénios e anticorpos. O diagnóstico de hepatite auto-imune é baseado também em exames específicos do sangue, chamados anticorpos e obriga à realização de biópsia hepática. O diagnóstico de hepatite tóxica e esteato-hepatite baseia-se na história clínica e numa relação temporal e exposição a um agente tóxico, não existindo exames sanguíneos específicos para o diagnóstico.

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