Magazine Risco Zero #36
Dr. Telmo dos Santos ARTIGO TÉCNICO A NEGLIGENCIADA PSICOLOGIA DO TRÂNSITO Aproximadamente 1,3 milhão de pessoas morrem a cada ano nas estradas do mundo, e entre 20 e 50 milhões sofrem ferimentos não fatais. O relatório sobre o estado global de segurança no trânsito da Organização Mundial da Saúde (OMS) é a primeira avaliação ampla da situação de segurança rodoviária em 178 países (incluindo Angola), usando dados extraídos de uma pesquisa padronizada. Os resultados mostram que as lesões causadas pelo trânsito continuam sendo um preocupante problema de saúde pública, particularmente para os países de baixa e média renda. Piões, ciclistas e motociclistas, considerados como ‘Utentes Vulneráveis’, representam quase metade dos mortos nas estradas e a tendência é crescente. Em angola, a sinistralidade rodoviária continua a assombrar a realidade local, como um grande mal de saúde pública. Em 2025, foram registados um total de 12.208 acidentes, cerca de 3.112 mortos e 17.034 feridos, numa média mensal de 1.017 acidentes, 259 mortos e 1.420 feridos. Todavia, a segurança rodoviária tem inúmeros factores contribuintes, activos e passivos, que podem garantir a segurança de todos ou potenciar os acidentes. Desde a formação, a aptidão legal e clínica para conduzir e a tão negligenciada psicologia do trânsito, que como um factor importante, ajuda a manter a estabilidade mental do condutor durante a condução, prevenindo acidentes, conflitos e transtornos no trânsito. A psicologia do trânsito é o ramo da psicologia que estuda o comportamento de condutores, pedestres e ciclistas em interação com as vias. Ela avalia funções cognitivas (atenção e memória), habilidades motoras e aspectos emocionais para promover a segurança rodoviária, prevenir acidentes e colaborar em políticas públicas de mobilidade. A psicologia do trânsito é responsável pela avaliação psicológica, que garante os exames de aptidão mental e comportamental para condução, a educação e conscientização, desenvolvimento de campanhas e formações focados em atitudes, empatia e respeito no trânsito, e a reabilitação e suporte, acompanhamento de motoristas infratores (direção defensiva) e apoio psicológico a vítimas de acidentes. Factores como o congestionamento, o comportamento de outros condutores, as condições da via pública, o comportamento dos peões, as condições do próprio veículo e até as condições atmosféricas e ambientais, podem ter um impacto no segurança rodoviária. Vivemos em uma sociedade onde a vida é muito corrida e os factores externos podem impactar significativamente no trânsito e na sua segurança. Os números elevados de acidentes rodoviários têm origem a diversos factores, inclusive, os factores ligados à psicologia do trânsito, que são maioritariamente negligenciados. Mais do que a aptidão legal e clínica para conduzir, a aptidão psicológica devia ser considerada com igual ou maior seriedade, pois a condição mental e psicológica de um condutor pode fazer a diferença entre ter ou não acidentes rodoviários. O tema da educação e sensibilização é igualmente sensível e de séria preocupação. A psicologia do trânsito monitora permanentemente o comportamento humano no trânsito e adequa por meio de formação, educação e sensibilização. A psicologia do trânsito é primordial para perceber e melhorar o comportamento na via pública durante a condução e garantir segurança e bem-estar. magazine risco zero
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