Magazine Risco Zero #36

aspetovisual do local de trabalho.Medir significa compreender a verdadeira dimensão do problema, permitindo que as decisões de gestão sejam baseadas em evidências sólidas e não em meros pressupostos. Uma única medição técnica especializada pode revelar riscos que permaneceram ocultos durante décadas, permitindo a implementação de medidas de controlo que sejam verdadeiramente proporcionais e eficazes para proteger a saúde a longo prazo. No plano jurídico e normativo, esta responsabilidade é sustentada por umquadro legislativo que emAngola se tornou cada vez mais exigente. O sistema de segurança, higiene e saúde no trabalho, estabelecido há décadas, foi reforçado por decretos mais recentes que regulam minuciosamente o funcionamento destes serviços nas empresas. Além das obrigações legais, referências internacionais como a norma ISO quarenta e cinco mil e um promovem uma gestão proativa onde os trabalhadores deixam de ser meros recetores de regras para se tornarem participantes ativos na construção de ambientes saudáveis. No entanto, a conformidade legal e a posse de certificados não garantem, por si só, a segurança dos trabalhadores se não houver uma mudança profunda de mentalidade em todos os níveis da hierarquia organizacional. O maior entrave à prevenção eficaz reside muitas vezes na resistência à mudança e na convicção errónea de que a ausência de acidentes é sinónimo de um ambiente controlado. Uma cultura de segurança sólida não se mede pelo número de checklists preenchidas ou por auditorias bem-sucedidas, mas sim pelos comportamentos diários e pela capacidade de questionar métodos de trabalho tradicionais que podem estar a ocultar doenças profissionais latentes. A verdadeira prevenção atua sobre as causas e não apenas sobre as consequências, evitando que o sucesso seja medido apenas por indicadores burocráticos. É necessário ter a humildade de reconhecer que o facto de uma tarefa ter sido executada da mesma forma durante anos não significa que esteja a ser feita corretamente; pode significar apenas que o risco invisível ainda não se manifestou de forma catastrófica. Emúltima análise, o papel das organizações e dos profissionais de saúde e segurança é desenvolver a capacidade de ver mais além do óbvio, protegendo a vida humana através da ciência e da empatia. O objetivo final de qualquer sistema de gestão deve ser assegurar que cada indivíduo regresse a casa no final do dia com a sua integridade física e mental preservada, garantindo que o local de trabalho seja um espaço de desenvolvimento e não de perda de saúde. Ao investir na identificação do que está oculto e na medição do que é silencioso, as empresas não estão apenas a cumprir um dever de diligência, mas a construir as bases para a sua própria sustentabilidade e para uma cultura organizacional onde o cuidado com as pessoas é o valor supremo. Ajudar a ver melhor para proteger melhor é o compromisso essencial para transformar o desconhecido num futuro seguro e saudável para todos. Engª. Carla Guerreiro × Diretora QHSE do Grupo ASCENDING /29

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