Magazine Risco Zero N.º 35
EmAngola, àmedida que sectores como a construção, indústria e energia se expandem, aumenta também a exposição a riscos operacionais complexos. Ainda assim, muitas organizações continuam a encarar a gestão de emergências como uma obrigação formal, e não como uma capacidade estratégica. Uma emergência pode assumir diversas formas: um acidente grave, uma paragem cardiorrespiratória, um incêndio ou um evento com múltiplas vítimas. O elemento comum é a necessidade de uma resposta imediata, estruturada e eficaz. No entanto, a realidade demonstra que a preparação é frequentemente insuficiente. Planos existem, mas não são testados; equipas são designadas, mas não estão treinadas; procedimentos são definidos, mas não são compreendidos. Entre as falhas mais críticas destaca-se a ausência de uma triagem eficaz. A capacidade de avaliar rapidamente a gravidade da situação e decidir o encaminhamento adequado é determinante. Sem mecanismos estruturados de triagem, baseados em protocolos e apoio à decisão, verifica-se frequentemente confusão operacional, atrasos na resposta e utilização inadequada de recursos. Neste contexto, o recurso a sistemas de aconselhamento e triagemmédica à distância surge como uma solução relevante. Através de plataformas organizadas, é possível assegurar uma primeira avaliação qualificada, orientar intervenientes no terreno e activar os meios mais adequados. Esta abordagem permite ganhar tempo, reduzir erros e aumentar a probabilidade de uma resposta eficaz, sobretudo em ambientes onde os recursos são limitados ou dispersos. Contudo, mesmo com suporte técnico, a resposta depende de fatores humanos e organizacionais. A ausência de liderança, falhas de comunicação e indefinição de responsabilidades continuam a ser causas recorrentes de insucesso. Em muitos casos, os equipamentos existem, mas não são utilizados corretamente ou não estão operacionais quando necessários. As consequências são amplas e profundas: perdas humanas, impactos financeiros, responsabilidades legais e danos reputacionais. Mais do que isso, expõemfragilidades estruturais que poderiam ter sido prevenidas. Melhorar a gestão de emergências no local de trabalho exige mais do que cumprir normas. Implica treinar de forma consistente, testar cenários reais, rever continuamente procedimentos e integrar sistemas de triagem e apoio à Dr. Mário Almeida × Médico colaborador da Mediplus, responsável pelas Avaliações do Dano Corporal em Acidentes de Trabalho. decisão. Exige também liderança comprometida e uma cultura de segurança que vá além do discurso. No final, a emergência não avisa — mas revela. Revela o nível de preparação, a eficácia dos sistemas e a capacidade real de resposta. E, quase sempre, confirma que a diferença entre o controlo e o caos foi definida muito antes do evento acontecer. /59
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