Magazine Risco Zero N.º 35
magazine risco zero ARTIGO DE INVESTIGAÇÃO - UNIVERSIDADE DE COIMBRA LIDERANÇA EM MOMENTOS CRÍTICOS: PREPARAR LÍDERES PARA AGIR SOB PRESSÃO As situações de emergência no local de trabalho representam momentos de elevada exigência organizacional, em que a eficácia dos procedimentos técnicos depende, em grande medida, da capacidade humana de resposta. Acidentes, incidentes de segurança ou eventos externos inesperados exigem decisões rápidas, comunicação clara e coordenação eficaz. Nestes contextos, a liderança operacional e intermédia assume um papel determinante na estabilidade das equipas e na mitigação de riscos. Dra. Maria Helena Matos A investigação sobre liderança em crise demonstra que estes contextos são caracterizados por incerteza, pressão temporal e informação incompleta, exigindo dos líderes capacidade de adaptação rápida, apoio às equipas e tomada de decisões sob condições adversas (Riggio, 2023; Lehtonen, 2025). Para além do conhecimento técnico dos planos de emergência, competências comportamentais, como a comunicação assertiva, a regulaçãoemocional eacapacidadedepriorização, tornam-se críticas para o desempenho organizacional. A literatura também evidencia que o stress e a incerteza podem afetar a qualidade das decisões, particularmente quando associados à escassez de tempo e de informação. Em ambientes de elevada pressão, o suporte da equipa e a clareza de papéis contribuem para reduzir conflitos de decisão e aumentar a eficácia da resposta coletiva. Assim, a liderança em situações críticas não deve ser entendida apenas como uma função hierárquica, mas como um processo relacional que influencia a confiança, a coordenação e a segurança psicológica das equipas. Neste enquadramento, a preparação de líderes para situações de emergência deve integrar os programas de desenvolvimento organizacional. Exercícios de simulação, formação em comunicação de crise, treino de tomada de decisão sob pressão e desenvolvimento de inteligência emocional são práticas reconhecidas como eficazes para reforçar a capacidade de resposta em cenários críticos (Dahir, 2025). A repetição de cenários simulados e a revisão
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