Magazine Risco Zero N.º 34
• Participação dos trabalhadores: A segurança é uma responsabilidade partilhada, exigindo o envolvimento e a participação ativa de todos. É crucial reconhecer e celebrar as várias experiências, as capacidades, mas acima de tudo a pluralidade de pensamento, factor decisivo na integração organizacional; • Conscientização dos perigos e dos riscos profissionais: Os trabalhadores devem ser alvo de um projecto integrado de formação e desenvolvimento que não comprometa a segurança e saúde devido às diferenças e às barreiras culturais, religiosas e linguísticas, para não falarmos das diferenças físicas e mentais que urgem ser integradoras e facilitadoras face aos perigos e riscos associados; • Comunicação transparente: Deve haver o cuidado de se promover um ambiente são, acolhedor, onde todos se sintam parte do todo, de forma segura, respeitada e reconhecida, quer pela gestão de topo, quer pelos colegas e chefias directas. A promoção de uma comunicação sobre segurança e saúde é um imperativo gestionário, apelando simultaneamente à participação, encorajando o feedback de todos os actores da organização com particular enfoque neste grupos tradicionalmente mais secundarizados em muitas organizações para não falar na marginalização de uma fatia apreciável da actual sociedade consumista e individualista; • Estabelecimentos de procedimentos padronizados, instruções de trabalho e formação: Devem no nosso entender estabelecerem-se procedimentos e instruções de trabalho não só na língua portuguesa (se existirem trabalhadores migrantes na organização em causa) mas também numa segunda língua porventura na que abranger um número significativo de trabalhadores imigrantes de determinado país ou zona geográfica onde esse idioma é falado. A formação também deve abranger os públicos mais desfavorecidos ou vulneráveis, nomeadamente no que diz respeito a sismos, incêndios e evacuação; • Acessibilidade: os empregadores devem realizar ajustes ergonómicos nos layouts de trabalho de forma a criar condições mais inclusivas, seguras e confortáveis, apostando se possível nas ferramentas digitais tendo como objectivo primordial a acessibilidade plena; • Promoção de um ecossistema de cocriação: É relevante estimular esta ferramenta colaborativa entre todos, aproveitandoadiversidadedeconhecimentoseperspectivas para gerar inovação, criatividade e desenvolvimento socioprofissional; Ao abordarmos esta temática, não podemos ficar indiferentes… à diferença, que pode recair sobre qualquer um de nós ou de um ente familiar e até um amigo. Não deve existir ninguém que não tenha um familiar ou um amigo migrante, alguém portador de alguma deficiência ou até de diferente religião ou crença. Porém, somos todos iguais na acepção biopsicológica da palavra pessoa. A promoção de uma inclusão e equidade sociocultural e ocupacional de pertença, onde todos são aceites com os seus contributos, saberes, experiências, críticas e sugestões, deve ser considerada cada vez mais como uma mais-valia nas nossas organizações. Ao combater os obstáculos culturais, estamos a promover ambientes mais colaborativos, estimulando a comunicação, a experimentação, a aprendizagem mútua, o enriquecimento sociocultural e profissional, sem existir o medo de arriscar e de errar e consequentemente de ser punido. Impulsionar a consciência cultural face à inclusão de todos é essencialmente entender a pluralidade de valores culturais, aceitando e integrando essas diferenças, motivando os dirigentes e chefias para uma maior inclusão e empatia, falando a verdade, praticando os valores éticos, inspirando confiança e adaptando-se aos novos paradigmas ocupacionais. Em jeitode rematediríamos queuma cultura inclusivamelhora a segurança, a higiene e a saúde no trabalho ao promover a comunicação aberta, a aceitação de diferentes perspetivas e a criação de um ambiente de bem-estar físico, social e mental, onde os trabalhadores se sentem seguros para expressar as suas preocupações e identificar os perigos e os riscos, reduzindo assim o número de actos inseguros, incidentes e acidentes e promovendo o crescimento profissional de todos. “Na minha civilização, aquele que é diferente de mim não me empobrece; me enriquece”. Antoine de Saint-Exupéry A. Costa Tavares × Técnico Superior de Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho × Quadro Superior da Câmara Municipal de Cascais - Portugal × Formador, docente e consultor em matéria de SST /33
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