Magazine Risco Zero N.º 33

/57 Quais foram os principais destaques da programação desta edição? Destacaram-se os painéis temáticos que abordaram desde a gestão de riscos operacionais até ao papel da liderança na promoção de uma cultura de segurança. Houve sessões dedicadas à inovação tecnológica, apresentação de casos de estudo em empresas nacionais e partilha de experiências internacionais. Um dos pontos altos foi o espaço reservado à exposição de soluções e serviços, onde empresas demonstraram equipamentos de protecção individual, sistemas de monitoramento, soluções digitais e ferramentas de formação. Quais foramos critérios para a escolha dos oradores e como foi garantida a qualidade técnica das intervenções? O processo de selecção foi rigoroso. A organização trabalhou com uma gestão técnica que avaliou a relevância, experiência e aplicabilidade das propostas dos oradores. Foi dada prioridade a quem tivesse experiência comprovada no sector, enfrentado desafios reais e disposto a partilhar soluções. Evitaram-se discursos motivacionais em prol de contributos com base técnica, científica e prática. Essa exigência foi determinante para a credibilidade que a conferência conquistou entre os profissionais do sector. Como foi estruturada a conferência para acolher um público diversificado, com diferentes níveis de experiência em SHST? Essa foi uma preocupação constante. A programação foi estruturada emdiferentes níveis: sessões técnicas aprofundadas para especialistas, bem como momentos de sensibilização e formação introdutória para novos quadros ou gestores sem formação específica em SHST. Houve também uma componente de interacção prática com os expositores e um espaço dedicado a startups, de forma a envolver novos actores no ecossistema da segurança laboral. Houve alguma ligação entre esta conferência e as políticas públicas nacionais na área da segurança no trabalho? Sim. A conferência manteve uma ligação activa com entidades públicas, como a Inspecção-Geral do Trabalho, com o objectivo de garantir que as recomendações técnicas emergentes pudessem influenciar positivamente as políticas públicas. Acreditou-se que uma abordagem tripartida — governo, empresas e trabalhadores — era essencial para promover mudanças estruturais. O relatório final do evento foi compilado e será partilhado com as instituições competentes, contendo sugestões práticas que poderão ser consideradas na actualização da legislação e na definição de programas nacionais de prevenção. Quais foram os principais desafios identificados pelas empresas em Angola no domínio da SHST? Foram identificados três grandes desafios: a ausência de uma cultura de prevenção nas lideranças; a escassez de profissionais qualificados; e a falta de investimento sistemático em formação e equipamento. Muitas empresas ainda viam a SHST como um custo e não como uma responsabilidade legal e ética. No entanto, foram observados avanços significativos, com uma procura crescente por soluções, sobretudo por parte de empresas que operam em ambientes de maior risco. A conferência contribuiu para essa mudança de mentalidade e para o reforço das capacidades do sector. Como foi a adesão e o interesse do público? A adesão foi muito positiva e o interesse foi notório. Foram registadas inscrições de empresas de várias regiões do país, com destaque para Luanda, Benguela, Icolo e Bengo, Cabinda, Huíla e Lunda Sul, o que reflectiu o carácter nacional da iniciativa e a sua relevância transversal. Quais serão os próximos passos após esta edição da conferência? Os trabalhos já foram iniciados para a organização da 4.ª Edição, a decorrer em Benguela, em Outubro de 2025. O tema será: “Corredor do Lobito: Desafios e Soluções Sustentáveis em SHST”. A escolha de Benguela está relacionada com a importância estratégica do Corredor do Lobito, que se tem afirmado como umeixo logístico de impacto regional. Pretende- se, assim, alargar a reflexão a outras províncias e integrar novos sectores, consolidando uma rede nacional de profissionais e instituições comprometidas com a segurança no trabalho e com o desenvolvimento sustentável do país.

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