Magazine Risco Zero N.º 33
magazine risco zero novas iniciativas se não houver engajamento e capacitação. Privacidade e Aceitação Regulamentar: Tecnologias de SST modernas envolvem coleta frequente de dados dos trabalhadores (por exemplo, localização, sinais vitais, desempenho) e monitoramento constante. É fundamental garantir que os dados coletados sejam usados apenas para fins de segurança e proteção do trabalhador, em conformidade com leis de proteção de dados. Paralelamente, os órgãos reguladores e normas nacionais de SST devem acompanhar o ritmo da tecnologia. A própria OIT alerta que, apesar dos benefícios, as novas tecnologias introduzem riscos emergentes e lacunas regulatórias que precisam ser endereçadas. Em Angola, o MAPTESS e demais autoridades devem actualizar normas técnicas para incluir esses cenários, assegurando uma transição digital alinhada à proteção dos trabalhadores. Sobrecarga de Tecnologia e Dependência: Por fim, existe o risco de confiar cegamente nos sistemas automatizados e reduzir a supervisão humana a um nível perigoso. “A máquina não pode cuidar de tudo”, o equilíbrio é essencial, a tecnologia deve complementar e não substituir totalmente a vigilância humana, com a meta de alcançar uma parceria homem-máquina na SST. Tecnologias Inovadoras Aplicadas à SST Várias tecnologias emergentes ganham destaque na prevenção de acidentes de trabalho e na proteção da saúde ocupacional. Algumas das principais tecnologias já em uso são: Realidade Virtual (VR) e Realidade Aumentada (AR): Ferramentas de VR permitem treinamentos imersivos, onde trabalhadores podem vivenciar cenários de risco virtualmente. Isso os prepara para reagir corretamente em situações reais de perigo, sem se exporem durante o treinamento. Dispositivos Vestíveis Inteligentes (Wearables): Equipamentos que o trabalhador veste ou acopla ao corpo/ equipamento, munidos de sensores diversos: capacetes inteligentes, que podem detetar quedas ou colisões e enviar alertas; pulseiras e relógios que monitoram sinais vitais (frequência cardíaca, temperatura corporal) e identificam sinais de fadiga ou stress térmico; coletes e botas com GPS e sensores de proximidade, que avisam se um operário está muito próximo de uma zona de risco ou de uma máquina em movimento. Drones e Robôs Autônomos: A aplicação de drones e robôs tem sido revolucionário para inspeções e tarefas de alto risco. No sector petrolífero, drones equipados com câmaras e sensores substituem o trabalho de técnicos em locais perigosos. Sistemas de Monitoramento IoT e Inteligência Artificial: A convergência de sensores conectados com algoritmos de IA conduz a SST a um patamar preditivo. Em fábricas e instalações industriais, redes de sensores monitoram em tempo real variáveis como qualidade do ar, presença de substâncias químicas, temperatura, ruído e vibração de máquinas. Esses dados são enviados automaticamente para plataformas que os analisam e correlacionam com padrões de risco. Isso é extremamente relevante em sectores como o Oil & Gás e a Mineração, onde gás sulfídrico, metano ou poeiras são perigos constantes, sensores fixos e portáteis detetam níveis inseguros e alarmes ordenam evacuação imediata se necessário. Empresas como a Pix Force no Brasil, já utiliza IA para prever fadiga de motoristas e operadores a partir de padrões de jornada e sono, realocando escalas antes que ocorram acidentes por cansaço. Câmaras inteligentes com reconhecimento facial detectam sinais de sonolência em condutores (bocejos, piscadas lentas) e emitem alertas sonoros e visuais imediatamente para evitar acidentes por dormência ao volante. Tecnologias Emergentes e Futuras: Além das já mencionadas, há inovações ascendentes que logo podem fazer parte do arsenal de SST nas indústrias. Exoesqueletos mecânicos vestíveis já estão sendo testados para ajudar trabalhadores a levantar pesos ou manter posturas ergonômicas, reduzindo o desgaste físico e prevenindo lesões musculoesqueléticas. Robôs “cães” autônomos (semelhantes aos famosos robôs quadrúpedes) estão sendo implantados para inspecionar áreas de difícil acesso em minerações e fábricas. Aplicações nas Indústrias Motoras de Angola Angola possui uma economia fortemente apoiada nos sectores de alto risco ocupacional, o que torna a modernização tecnológica da SST uma prioridade estratégica: Indústria Petrolífera: Sendo um dos maiores produtores de petróleo da África, Angola opera plataformas offshore, refinarias e instalações cheias de riscos (explosões, vazamentos, incêndios). A implementação de drones para inspeções de flare stacks (tochas de queima de gases)
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