Magazine Risco Zero N.º 31
/33 Face ao novo quadro jurídico acima exposto, e considerando a minha já longa experiência nesta área, se a empresa efetivamente tiver a possibilidade em termos de meios técnicos, humanos, logísticos e patrimoniais, de dar resposta às necessidades e às exigências da segurança, higiene e saúde dos seus trabalhadores, deve e pode optar pela criação do serviço interno de SHST. A principal vantagem é a proximidade aos trabalhadores, havendo uma rotina diária de aconselhamento, de vigilância, de articulação e de envolvimento entre os técnicos, os profissionais de saúde e os trabalhadores em geral. Os índices de confiança aumentam permitindo que determinadas sugestões e críticas construtivas sejam relatadas que, com outro figurino, podem eventualmente ser criadas determinadas barreiras que limitam essa cumplicidade positiva de escuta, de entendimento, de perceção da microcultura organizacional, de acompanhamento de proximidade, etc.. A missão de um serviço destes, serve para garantir em primeiro lugar a prevenção (proteção coletiva), mas também a proteção e o bem-estar dos trabalhadores, promovendo um ambiente de trabalho digno, seguro e saudável. Abrangem- se várias áreas, como a prevenção e reparação de acidentes e doenças ocupacionais, o cumprimento das normas e regulamentos relacionados à saúde e segurança, e a promoção de um ambiente de trabalho mais seguro, mais confortável e mais saudável, quer fisiologicamente, quer mentalmente. De seguida refiro algumas estratégias que podemos incluir na missão de um serviço interno de SHST. De referir que, se houver outra opção (serviço interempresas ou externo) as estratégias abaixo deverão ser na sua maioria, idênticas: 1. Identificação e Avaliação de Riscos • Identificação Proativa: Realizar inspeções regulares para identificar riscos potenciais no ambiente de trabalho, como condições inseguras, materiais perigosos e práticas inadequadas; • Avaliação de Riscos: Avaliar a gravidade e a probabilidade dos riscos identificados e priorizar as ações corretivas com base nessas avaliações. 2. Gestão da sinistralidade ocupacional • Tratamento da carga burocrática entre a empresa e a companhia de seguros assim como assegurar o acompanhamento do trabalhador sinistrado em situações em que seja objetivamente necessário; • Avaliação do pós-acidente de trabalho assegurando a reinserção no posto de trabalho, alterando a não conformidades (se for o caso) que originaram o acidente e garantir uma formação em prevenção de comportamentos inseguros bem como terem conhecimento gerais de SHST para um melhor diagnóstico de situações consideradas inseguras. 3. Desenvolvimento e Implementação de Políticas, Procedimentos e Instruções de Trabalho • Políticas de Segurança: Criar e rever periodicamente as políticas sobre práticas seguras, uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI’s) e procedimentos de emergência entre outras; • Procedimentos e Instruções de Trabalho: Elaborar procedimentos operacionais padrão para atividades específicas de risco, incluindo a manipulação segura de substâncias químicas e biológicas, bem como o manuseamento de equipamentos, máquinas e ferramentas de trabalho. 4. Prevenção e Resposta a Emergências • Planos de Emergência: Desenvolver e manter planos de emergência para diferentes tipos de incidentes, como incêndios, vazamentos químicos, desastres naturais, ameaças externas, etc.; • Simulações e Exercícios: Realizar simulações e exercícios regulares para garantir que os trabalhadores saibam como responder efetivamente em cenários de emergência; • Gestão de Primeiros Socorros: Garantir a disponibilidade de equipamentos e materiais para a realização de primeiros socorros, bem como manter estes sempre dentro da validade. 5. Monitorização e Controle de Saúde Ocupacional • Monitorização de Saúde: Implementar programas de monitorização periódica da saúde dos trabalhadores, como exames médicos e avaliações das condições relacionadas ao trabalho, articulando com o médico do trabalho em visitas periódicas aos postos de trabalho; • Controle de Exposição: Monitorar e controlar a exposição a agentes perigosos, como agentes químicos, biológicos ou físicos (ruído, iluminação, qualidade do ar, condições térmicas, vibrações, radiações, entre outros), com o objetivo central de minimizar riscos para a saúde de todos os envolvidos. 6. Formação Profissional, Informação e Consciencialização • Formação Profissional: Promover ações de formação contínua sobre perigos e riscos, técnicas operacionais, primeiros socorros, combate a incêndios, evacuação em caso de emergência, suporte básico de vida, etc.; • Informação: Disponibilizar informação assertiva e compreensível a todos os trabalhadores, seja por meios digitais, afixada nos locais de trabalho ou entregue pessoalmente, sempre que necessário;
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