Magazine Risco Zero nº29

magazine risco zero MULHER TRABALHADORA, O EQUILÍBRIO ENTRE A VIDA PROFISSIONAL E A VIDA PESSOAL ARTIGO DE OPINIÃO Dra. Paula Fernandes Pereira | BFA Sendo Março mês do ano especialmente dedicado à Mulher, considero necessário falarmos da Mulher Trabalhadora. Perante a Lei Angolana, a Mulher goza de Direitos iguais ao Homem, um marco para a igualdade do género e a não discriminação; e na Lei Geral do Trabalho, a Mulher tem direitos especiais, o que demonstra o olhar atento para com a Mulher e é aqui que vamos debruçar. Em Angola, a Mulher representa 50,5% da população nacional (1), e inúmeras são as iniciativas que são concretizadas para protecção e emancipação da Mulher no âmbito do trabalho. O sector bancário, onde encontramos mais dados informativos (2), a média de empregabilidade da Mulher, em 2021 apontou 47% e em 2022, 48%, segundo relatório como da ABANC (3). Este número é significativo pela força de trabalho que a Mulher representa no mercado financeiro, conhecido pela exigência na demanda e elevada competitividade. Ao longo do nosso território nacional, com cerca de 1.460 AgênciaseBalcões,aMulherocupasimumpapelpredominante no negócio bancário. Estes números apenas para sustentar de forma científica este artigo dedicado à Mulher, mas ainda é desconhecida a distribuição a nível departamentos em que as Mulher desempenham as suas funções bem como precisamos perceber melhor, o número de Mulheres que ocupam cargos de chefia ou liderança ou ainda, quantas Mulheres efectivamente “comandam” estes Bancos em Angola. Falar da Mulher no contexto profissional, é falar de superação como dita a história mundial. Se no passado, a Mulher estava inteiramente dedicada à família e circunscrevia-se a tarefas domésticas, hoje verifica-se cada vez mais a Mulher com papel activo em dupla jornada. Há uma predominância da Mulher em actividades comerciais ou de serviços, por entre funções mais administrativas, como Recursos Humanos, Jurídicas ou Contabilidade mas hoje a Mulher está integrada em equipas que anteriormente eram exercidas maioritariamente por Homens, como Operações e Informáticas. Isto porque a Mulher ainda jovem tem vindo a desafiar-se a partir do seu percurso académico para as carreiras do futuro e a partir daí, abre portas para o emprego, o que permite integrar equipas produtivas e altamente competitivas, lado a lado ao Homem. Com a etapa de inclusão assegurada, onde a Lei Geral do Trabalho emAngola assegura a igualdade do género, há outros desafios a analisar que representam riscos para a Mulher. A Mulher enfrenta um estigma, ainda considerado geracional, onde embora estejamos a par e passo do desenvolvimento sentido em países do primeiro mundo, como acesso à tecnologia e informação sempre actualizada, com a entrada das redes sociais e ainda o empoderamento feminino, a Mulher sente a discriminação de forma indirecta. A consideração ou a opinião da Mulher é colocada em dúvida quando analisada a tomada de decisão e as suas qualificações ou competências, podemser descredibilizadas, face aoHomem. Isto em situações profissionais onde o Homem tem um papel predominante. E mesmo quando o fórum é liderado por Mulheres, o estigma pode estar tão enraizado entre os comportamentos humanos deste grupo, que acaba sendo considerado normal. A palavra “poder” é um substantivo masculino, mas que as Mulheres têmpor entre a sua génese e não precisa ser encarado como uma ameaça. Vamos debruçar sobre o desafio de conjugar a vida pessoal e profissional… A Mulher tem por natureza e por “pressão” da sociedade, a vontade de passar por todas as etapas da vida pessoal: depois de completar a faculdade parece por pressão familiar, estar pronta para formar uma família, mas muitas vezes tem dentro de si a vontade de iniciar a sua carreira. Quando estas duas etapas encontram-se, pode gerar um conflito. A Mulher a partir do momento em que ingressa o mercado de trabalho, precisa dedicar o seu tempo a aprender o que realmente é o mundo corporativo. A adaptação da teoria à

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